quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Coisa do outro mundo?

Esta é a história de uma adolescente comum que num certo dia, na sala de aula, recebeu a triste notícia da morte do seu irmão. Voltou para casa abalada, mas sem conseguir derramar uma lágrima sequer.
A lembrança que tinha na sua mente era do dia anterior, quando ele havia passado em casa na hora do almoço. A imagem dele acenando ficara gravada no seu subconsciente, a última imagem dele vivo.
No dia seguinte, quando o caixão foi aberto, ela teve a impressão de que ele estava sorrindo. Ela sentiu falta dos seus cabelos, pois, a cabeça dele estava enfaixada.
Deu um beijo numa de suas faces. O choro continuou preso. Toda a sua família estava arrasada. Seus pais estavam inconsoláveis. Nada daquilo parecia real.
A vizinhança e todos os amigos apareceram para o adeus. Ele era um rapaz muito querido, gostava de cantar e encantar aqueles que o rodeavam. O cortejo seguiu o carro fúnebre até a sua última morada.
Uma semana depois, a menina estava indo à casa da sua tia com uma criança no colo, o seu sobrinho, quando, pouco antes de chegar ao portão, começou a ver com o olho esquerdo uma luzinha. Continuou em frente, seguindo aquela luz, até que chegou à janela e gritou pela prima. Ouvia a sua voz como se fosse um eco.
Ainda bem que não derrubou seu sobrinho, que não passava de um bebê, pois quando se deu conta, estava em casa deitada na cama, sendo paparicada pela mãe.
O que havia acontecido? Tivera um desmaio? O que significava aquela luzinha? Perguntas sem respostas!
Continuava a pensar no seu irmão? Sim, ela continuava a pensar nele, mas, não como alguém que estava morto. Na sua mente ele estava viajando e logo retornaria.
Algum tempo depois, o sofrimento ainda reinava na sua família. Era muito difícil para todos aceitar que aquele rapaz tão jovem, apesar de já ser um homem casado e pai de uma linda menina, havia partido para sempre.
Então, numa certa noite, a adolescente que conseguira segurar o choro por tanto tempo teve um sonho. Nesse sonho seu irmão chegava de uma viagem, vestido com sua camisa predileta e a abraçava.
Era um abraço bem apertado e de repente, ele foi caindo, se desmanchando em sangue.
Nunca mais ela sonhou com ele e a partir daquele dia, ela aceitou a sua morte. Ficaram na sua memória as boas lembranças e a pergunta sem resposta sobre aquele desmaio… ”Coisa do outro mundo”?

14 comentários:

  1. dizem que a alma nao fica em paz quando choramos ou a chamamos .

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  2. Que sofrimento da adolescente. Realmente tem pessoas que são assim mesmo! Pelo menos, ela conseguiu se libertar! Gostei da história.

    Bjs

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    1. Verdade, Raquel!
      Que bom que você gostou!

      Obrigada! 😘😘

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  3. Enfim ela encontrou um modo de se despedir!!! 👏🏽👏🏽👏🏽

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  4. Deve ter sido difícil segurar todo esse sentimento.
    Quando perdemos alguém querido é normal passarmos pelas fases do luto.
    Quanto ao desmaio, acredito que não tenha sido coisa de outro mundo, tá mais pra stress.

    Beijinhos,
    Aline Magalhães
    Alineland

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    1. Obrigada, Aline, gostei bastante da sua opinião!

      😘😘

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  5. Segurar sentimento é muito ruim mesmo, por que a alma fica aflita, este conto é bem forte. Beijos

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  6. Adorei a história Ci, super forte o conto. Beijos

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