quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Só o amor constrói

Num passado bem remoto, uma linda mocinha de cabelos cacheados, cor de mel, se enamorou de um lindo rapaz, de pele cor de chocolate. Seus pais a trancaram dentro de casa. Não podiam nem ouvir falar o nome do moço, porque ele era o filho do jardineiro.
A mocinha, Clarinha, como era chamada carinhosamente, começou a ficar muito triste e nem queria mais comer. Passava o dia escrevendo poemas e pensando no seu amor. Suas amigas foram proibidas de visitá-la. Os pais não queriam que elas servissem de pombo correio.
O jovem, Carlos, era trabalhador. Ajudava o pai a cuidar do jardim. Depois que Clarinha foi pega conversando com ele, os pais dela pediram ao jardineiro que afastasse o filho dali. Se ele não cumprisse a ordem seria despedido. O jardineiro, que era um senhor viúvo, mandou o filho morar com a avó, bem distante dali. Ele precisava daquele serviço.
Durante alguns anos, Clarinha estudou num colégio de freiras. Assim que voltou para casa, nas férias de verão, viu Carlos e logo se apaixonou. Ele também ficou apaixonado por aquela mocinha de longos cabelos cacheados, da cor do mel. Fazia pouco tempo que o jardineiro trouxera o filho para morar com ele.
Depois que o jovem rapaz foi para a casa da avó, os pais liberaram a filha do castigo. Ela já podia passear pelo jardim e receber as amigas. Mas, Clarinha não via a hora de voltar para o colégio, assim pensaria menos no Carlos. Tinha esperança de que um dia, ainda, voltaria a encontrar o seu amado.
Os anos se passaram e Clarinha retornou, depois de terminar os estudos. Numa oportunidade, perguntou ao jardineiro sobre seu filho e descobriu que o rapaz estava trabalhando com a avó que era dona de uma mercearia. Soube que ele continuava solteiro.
Seu coração se encheu de alegria e ela pensou numa maneira de fugir de casa. Sabia que os pais já estavam planejando seu casamento com um primo de segundo grau, herdeiro de uma grande fortuna. Sentia calafrios só de pensar naquele primo. Nunca gostou dele. Não pretendia passar a sua vida ao lado de alguém que não amava só para agradar seus pais.
Numa noite enluarada, pediu permissão para dormir na casa de uma amiga. Eles pensavam que a filha havia esquecido aquele rapaz, sequer desconfiavam dela. Com a ajuda da amiga, Clarinha foi atrás do seu amor. Nem se preocupou com o que aconteceria a essa amiga, quando seus pais ficassem sabendo que ela havia ajudado a filha.
Quando Clarinha chegou à mercearia, no dia seguinte, apenas com a roupa do corpo, Carlos a recebeu de braços abertos. Ficou muito feliz em vê-la novamente. Sua avó, admirada com a atitude da moça, prometeu que os ajudaria. Percebeu que aqueles dois estavam apaixonados e sabia que ninguém tinha o direito de interferir naquele romance.
Clarinha escreveu uma carta, pedindo aos pais que a deixassem livre, para viver a sua vida do jeito que queria. Carlos era um rapaz decente e ela estava em boas mãos. Não pretendia casar com o primo só por interesse. Acreditava no amor e queria vivenciá-lo. Sabia que os dois formariam uma linda família, teriam alguns filhos e viveriam felizes para sempre como nos contos de fadas.
Seus pais passaram mal, depois que leram a carta, dispensaram o jardineiro e mandaram um recado à filha. Ela seria deserdada e deveria esquecê-los. O jardineiro, que já estava cansado daquele casal preconceituoso, foi embora feliz da vida. Iria encontrar outra família que valorizasse o seu trabalho ou abriria um negócio por conta própria. O dinheiro que havia recebido, daria para pensar em alguma coisa. Poderia abrir uma floricultura.
Com a bênção do pai e da avó, Carlos casou-se com Clarinha e prometeu fazê-la feliz. E assim formaram a sua família como haviam sonhado. Quem sabe um dia, os pais da Clarinha não a perdoariam? Ela acreditava nisso e sabia que o amor que sentia era muito grande, capaz de amolecer seus pais. Como nos poemas que escrevia, onde, a frase de que mais gostava era “só o amor constrói”.

24 comentários:

  1. simplesmente adorei essa historia .

    ResponderExcluir
  2. Eu gosto desses textos, tinha um blog só com eles acredita?
    ótima história Cidália. Bjuus

    http://ddreamsoficial.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Como existem, infelizmente, pessoas que colocam o interesse acima da felicidade dos filhos. Mais uma vez um ótimo conto.

    www.atraentemente.com.br

    ResponderExcluir
  4. Excelente história Cidália!! Conheço muitos pais que agem desta maneira.
    Beijos!!

    ResponderExcluir
  5. Que história linda 😍
    Existem país assim de verdade né ? Não deixam os filhos serem felizes tudo por causa de um preconceito bobo por dinheiro !
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada!
      Tem sim, conheço alguns que só pensam na situação financeira.
      Beijos ❤

      Excluir
  6. Q lindo, muita das vezes os pais querem o melhor para seus filhos e n enxergam que são eles mesmo quem devem decidir o seus futuros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, não condeno esses pais, mas penso como você, quem tem que decidir o próprio destino são os filhos.
      Beijo ❤

      Excluir
  7. Que lindo, e mais uma estória que me prende e me dá vontade de ler até o fim. Estou praticandoa leitura com seus textos sãomuito bons.
    Beijúh Com Q

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oba, que legal! Quando pensei em escrever textos curtos foi justamente por isso, para que as pessoas se interessem pela leitura.
      Muito obrigada!
      Beijos ❤

      Excluir
  8. Nossa que conto mais lindo! Me identifiquei demais com ele, pois vivi exatamente isso. No meu caso não "fugi" da casa dos meus pais, mas resolvi sair da casa deles e seguir a vida, por conta de na época não aceitarem meu relacionamento.
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada!
      Parabéns pela iniciativa! Os pais precisam entender que os filhos têm direito de fazer a sua escolha.
      Beijo ❤

      Excluir
  9. menina vc arrasa em seus contos. Passei por algo parecido quando tinha 15 anos. Era meio doidinha e sem juizo sabe kkkkk Tem post novo no blog. Vem conferir...
    Estilo.Quem tem?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada!
      Espero que tenha dado tudo certo para você.
      Beijo ❤

      Excluir
  10. O amor remove montanhas, é o que dizem, mas isso depende muito de qual montanha estamos falando, tem pessoas que nem no leito de morte muda de opinião, ou perde o preconceito, coisa triste isso.
    Em relação ao conto como seria bom se tudo se desse dessa forma linda e romântica, eu gostei do conto, nos faz sonhar com um mundo melhor onde o amor está em primeiro lugar!

    Bjos
    Minda ❤ 😍

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, concordo plenamente! É muito triste mesmo!
      É bom sonhar, às vezes. Li muito romance na minha adolescência e me tornei uma sonhadora.
      Bjos ❤

      Excluir
  11. Um conto bem interessante em ler, pois vai prendendo você cada vez mais para saber o final dele.
    Com certeza nos faz pensar, rever valores e aceitar alguns para avançar mais na vida
    Parabéns pelo texto

    Beijos
    Rafael

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, que bom que você gostou!

      Valeu! Abraço.

      Excluir
  12. Lendo o seu conto me fez mergulhar nos livros literários de estilo romântico do seculo XIX, so que com um final feliz. Muito bonito o texto e é triste ver que o preconceito pode fazer com as pessoas. Um super beijo #Luma

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha, que legal! Pois é, o preconceito destrói uma família.

      Obrigada, beijos! ❤

      Excluir