domingo, 20 de dezembro de 2015

Coragem e determinação



Uma mulher além do seu tempo. Desde jovem, sempre foi batalhadora. Começou a trabalhar muito nova como doméstica, aos quinze anos de idade. Ajudou o cunhado a conseguir emprego e sempre foi muito prestativa com a família. Quem conheceu Vanda, sabe o quanto sua vida foi difícil.
De doméstica, passou a trabalhar no restaurante da empresa que havia no lugar onde morava. E foi nesse restaurante que ela conheceu Ramiro, o amor da sua vida. Começaram a namorar e juntos batizaram a filha mais velha de uma das suas irmãs.
Estavam planejando o casamento, quando Ramiro foi transferido para outra cidade. Ele pediu à Vanda que o esperasse. Dentro de um ano ele voltaria para buscá-la.
Apesar do amor que sentia por Ramiro, a distância que os separava fez com que Vanda não aguentasse ficar sozinha. Com a falta de comunicação, Vanda pensou que Ramiro havia se esquecido dela. Já passara mais de um ano desde o dia em que se despediram.
Ela conheceu Adalberto e começaram a namorar. Não estava apaixonada por ele como estava por Ramiro, mas como ele era um moço bonito e jeitoso, acreditou que se apaixonaria pelo jovem.
Ramiro, um homem de palavra, voltou algum tempo depois do combinado; infelizmente, tivera um contratempo. Quando chegou foi logo procurar a sua amada, mas, acabou pegando-a com outro. Ficou decepcionado. Ele voltou para oficializarem o casamento e ela não manteve a palavra de que ficaria esperando por ele.
Muito chateado, Ramiro foi embora sem perdoá-la. Iria casar com a primeira moça que encontrasse pela frente, quando chegasse na sua cidade. E foi o que aconteceu. Assim que retornou, encontrou Laura na rodoviária e depois de uma longa conversa, começaram a namorar.
Um ano depois, Ramiro estava casado com Laura e juntos começaram a construir a fortuna que têm hoje. Tiveram apenas um filho.
Enquanto isso, Vanda terminou o namoro com Adalberto, porque não conseguiu se apaixonar por ele. Resolveu tentar um novo relacionamento, dessa vez com o irmão de um dos seus cunhados.
Resolveram casar e foram morar na casa desse cunhado, que arrumou um quarto para os dois. Mas, o casamento durou apenas um mês. Vanda percebeu que Valdomiro era muito diferente dela. Era um homem muito sossegado e sem ambição.
Algum tempo depois, ela conheceu Manoel, um pedreiro que apareceu na cidade e começaram a namorar. Como era separada, foi morar com ele sem papel assinado. Dessa união, que durou pouco mais de um ano, nasceu Henrique.
Sua vida mudou radicalmente. Ela foi tentar a sorte na cidade grande. Voltou a trabalhar como doméstica e além da casa que tinha para dar conta, precisava cuidar do filho pequeno. Sorte sua que a patroa era uma pessoa boa.
Para uma moça que havia nascido no interior e com pouco estudo, Vanda estava se saindo muito bem na capital. Conseguiu cativar os patrões, que apesar de exigentes, aceitaram que ela ficasse com o filho até que ele completasse um ano. Depois disso, Vanda deveria colocá-lo numa creche para passar o dia.
O menino foi crescendo e muitas coisas foram acontecendo. No período em que ele ficava em casa, se quebrasse alguma coisa, a patroa descontava do salário dela e Vanda não tinha alternativa, senão aceitar, sem reclamar das novas exigências.
Chegou o dia, em que Henrique já se tornara um rapazinho e ela resolveu voltar para sua cidade. Já tinha juntado algum dinheiro e poderia abrir um negócio próprio. Um de seus irmãos se associou a ela e juntos abriram um pequeno comércio.
Com o dinheiro que sobrou, ela conseguiu comprar um terreno e construir uma casa pequena. Era suficiente para ela e o filho. Vanda não media esforços para criar seu herdeiro. Era uma mulher batalhadora, determinada e incansável!
Quando o comércio parou de dar lucro, ela conseguiu emprego na empresa onde havia trabalhado no passado e foi uma funcionária exemplar. Pontual e responsável, fazia seu trabalho com amor. Conquistou a amizade de várias pessoas, na chefia.
Voltou a reencontrar seu antigo e talvez único amor, Ramiro e ficaram amigos. Mas, nunca mais se interessou por outro homem. Para ela, a vida era apenas trabalho e seu filho. Seu tempo era precioso e bem dividido entre os dois.
Vanda dizia o que pensava, era direta, não mandava recados. Às vezes, chegava a ofender determinadas pessoas, que não compreendiam a sua maneira de ser. Achavam que ela era intrometida, que não tinha papas na língua.
Seu filho casou-se e formou a sua própria família. Vanda aposentou-se e passou a dedicar seu tempo aos cuidados da casa e do quintal. Gostava de flores e cultivava algumas espécies. Tinha, também, uma pequena horta. 
Henrique morou um bom tempo longe da mãe e depois retornou com a família para morarem com ela. Como filho único, não poderia deixar a mãe sozinha na velhice. Ele teve filhas e netos, uma família grande e bonita.
Com a idade avançando, Vanda foi se tornando cada vez mais cri-cri e implicante. Até mesmo com a família e alguns vizinhos. Mas, sempre trabalhadeira e organizada. 
Conforme os anos foram passando, ela foi perdendo os irmãos, um a um. Sabia que restara apenas um meio irmão que morava na capital. O contato entre eles foi perdido com o passar dos anos.
Continuou mantendo contato com Ramiro, que de vez em quando vinha visitá-la. Ele, ainda, era um homem forte e vigoroso. 
Para Vanda, chegou o dia em que seu corpo, talvez, cansado da labuta de anos a fio, começou a se entregar. Falava pouco e as poucas palavras eram sobre a época de juventude, que lembrava com saudades.
Depois de uma cirurgia pela qual passou, foi ficando cada vez, mais debilitada. Suas pernas foram fraquejando e a depressão tomou conta dela. A luz do sol ardia em seus olhos. Qualquer barulho a incomodava. Só queria dormir!
Mesmo com toda a assistência que teve, seu corpo se recusava a reagir. Numa certa manhã, quando estava sendo levada para o banho, deu o último suspiro nos braços do filho amado. Seu sofrimento chegara ao fim.
Aquela mulher guerreira e corajosa que enfrentou algumas batalhas para criar seu filho deixou para a família um grande exemplo.




20 comentários:

  1. Uma super mãe ,mesmo com todo preconceito da época conseguiu criar seu filho sosinha ,parabéns a escritora uma linda história .

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  2. Linda história amiga!adorei o texto um Feliz Natal! beijo.
    www.ficarbem.com

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    1. Obrigada amiga, um feliz NATAL a vc também! Beijo.

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  3. Bom dia!Adorei o Blog,parabéns pelo conteúdo. Tenha um 2016 maravilhoso, repleto de inspirações. Bj no coração.♥

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    1. Boa noite, obrigada querida! Desejo o mesmo a vc! Bjs.

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  4. Eu sei quem é "Vanda"!!! Ah, que bela história de vida. Era mesmo uma mulher irascível e ao mesmo tempo podia ser amável. O filho foi a razão de tudo para ela. Conto bem escrito.

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    1. Senti vontade de escrever sobre "ela", uma mulher batalhadora e dedicada ao filho. Obrigada pelo comentário, bjs!

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  5. Que história linda, de uma mãe batalhadora que não mediu esforços para sustentar e criar seu filho ! É a realidade de muitas mulheres e exemplo de história para muitas também !
    Beijos

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    1. Sim, pensei nas mulheres guerreiras que dão duro para sustentarem os filhos.
      Obrigada pelo comentário!
      Beijos❤

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  6. Exemplo de vida! Que história de superação. Gostei muito de ler e acaba sendo uma referência para nós!!

    Bjs


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    1. Pois é, Vanda é o retrato da mulher e mãe que faz o impossível para criar seu filho.
      Obrigada, beijos! ❤

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  7. Que história linda guria <3 mil beijos

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  8. Q conto lindo, essa mãe é muito guerreira mesmo sem perder docilidade. Muito tocante

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  9. Como sempre suas histórias são maravilhosas! E o pior (ou melhor sei la) é que vemos muito dessas história no mundo real, algumas nem acabam bem...outras sim...mas a vida real imita a ficção ou vice versa.

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    1. Verdade, existem muitas mulheres como a Vanda.
      Muito obrigada pelo elogio, beijos!

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