quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Despedida

 









Mulher faceira, vaidosa.

Esposa companheira,
Mãe exemplar,
costureira de mão cheia.
Professora dedicada,
Dona de casa competente,
uma amiga engraçada,
uma pessoa com muitos predicados.
Um certo dia a sua mente titubeou,
Ali, naquele dia, sua vida começou a mudar.
Aos poucos foi perdendo a sua independência.
Deixou-se levar...
Por anos ainda interagia com as amigas que a visitavam sempre.
Elas tinham histórias em comum,
relembravam fatos, riam, confraternizavam,
Três amigas sempre presentes,
outras que participaram uma ou mais vezes dos encontros.
Amigas que se tornaram colegas de trabalho.
Cada uma tinha uma lembrança da época em que trabalharam juntas.
Um pouco antes da pandemia ela teve um AVC.
As amigas precisaram ficar em casa,
foi um período estranho.
O contato entre as pessoas teve que ser cauteloso.
Ela, provavelmente, sentiu-se abandonada.
Quando as coisas voltaram ao normal, as visitas das amigas retornaram.
Sua voz já não era a mesma,
ela falava baixo, às vezes lembrava o nome delas, outras vezes, lembrava o nome de uma ou duas.
Seu corpo foi perdendo as forças.
Ela contava com o cuidado dos filhos e da nora.
Em cada aniversário, mesmo com a voz sussurrante ela dizia que viveria até os noventa anos.
Bravamente ela aguentou firme até o último dia do ano de 2025.
Ficou mais de uma semana na UTI e na manhã do dia nove de janeiro ela se foi.
Seu sofrimento chegou ao fim.
As amigas guardam e guardarão para sempre a imagem da mulher faceira, alegre e divertida.

Venina partiu numa manhã ensolarada, quando o céu ficou azulado e o vento sussurrou o seu nome. Ela deixou naqueles que a amavam o eco das risadas que espalhava.

Nos dias que seguiram, a casa ficou silenciosa, mas a presença dela permanecia em cada cômodo como se ela ainda estivesse ali. Seus familiares e amigos entenderam que ela não havia realmente ido, mas havia se transformado em luz para guiar os seus passos.

 

Obrigada pela visita,

Cidália.