segunda-feira, 13 de julho de 2026

O andarilho

 




Lá vai ele, caminhando devagar pelo acostamento, com um velho cobertor pendurado nos ombros. O passo é lento, não apenas pelo cansaço, mas porque a vida já não lhe cobra horários. Não há compromissos, relógios ou um destino esperando por sua chegada.

Ele caminha sem pressa, seguindo o ritmo que os anos e as dificuldades lhe ensinaram. Cada passo carrega marcas de uma história que ficou para trás, de lugares por onde passou e de pessoas que talvez nunca tenham parado tempo suficiente para perguntar seu nome. O mundo continua correndo ao seu redor, mas ele segue em outra velocidade, como alguém que aprendeu a sobreviver no intervalo entre a esperança e a resignação.

Ele não tem pressa. Afinal, quem nada possui também não tem para onde correr.

Talvez um dia tenha tido planos, sonhos, uma casa, uma família ou um lugar ao qual chamar de lar. Talvez tenha acordado em manhãs diferentes, com preocupações comuns e pequenas certezas sobre o futuro. Mas a vida, com seus caminhos inesperados, suas perdas e suas quedas, o trouxe até ali. E agora ele carrega apenas aquilo que consegue levar consigo: algumas poucas roupas, um cobertor envelhecido e as lembranças que ninguém pode tirar.

Quando a fome aperta, ele para. Aceita, com um sorriso tímido ou um olhar agradecido, um pedaço de pão, uma marmita ou um café oferecido por alguma mão generosa. Alimenta o corpo com migalhas e a esperança com pequenos gestos de humanidade.

Cada alimento recebido representa mais do que uma refeição. É uma lembrança de que ainda existem pessoas capazes de enxergar além da aparência, além da sujeira das roupas e além da condição em que ele se encontra. Um simples copo de água, uma palavra gentil ou alguns minutos de conversa podem significar, para quem vive na solidão das ruas, muito mais do que muitos imaginam.

Às vezes, ele guarda o pouco que recebe para mais tarde, pensando na próxima noite ou no próximo amanhecer. Aprendeu a economizar não apenas comida, mas também expectativas. A vida nas ruas ensina a esperar pouco, porque cada pequena conquista se torna uma grande vitória.

À noite, o céu é seu teto. Uma ponte, uma marquise ou uma calçada transformam-se em abrigo improvisado. Estende o velho cobertor, já gasto pelo tempo, como quem ainda acredita que o descanso pode existir mesmo em meio ao abandono.

Antes de fechar os olhos, talvez observe as estrelas ou escute os sons da cidade que nunca dorme completamente. Carros passando, passos apressados, vozes distantes. Enquanto muitos retornam para suas casas, ele procura apenas um canto onde possa repousar sem ser incomodado. Um pequeno espaço onde, por algumas horas, possa esquecer o peso do mundo sobre os ombros.

O frio chega sem pedir licença. O calor castiga. A chuva encharca as poucas roupas que possui. Ainda assim, ao amanhecer, ele se levanta e continua caminhando. Sempre em frente. Sempre em silêncio.

Há dias em que o corpo pede descanso, em que as pernas parecem não responder e em que a vontade de continuar parece menor do que as dificuldades encontradas pelo caminho. Mas ele segue. Porque parar, muitas vezes, significa não ter como recomeçar. A rua não espera, o tempo não perdoa e a sobrevivência exige movimento.

As pessoas passam apressadas. Muitas desviam o olhar. Outras fingem que ele não existe. Mas ele está ali, percorrendo ruas estreitas, becos e avenidas, carregando uma história que ninguém quis conhecer e uma dor que poucos seriam capazes de suportar.

Algumas pessoas o veem apenas como mais uma figura perdida na paisagem urbana. Um rosto entre tantos outros, alguém que se tornou parte da rotina da cidade. Mas por trás daquele olhar cansado existe uma vida inteira: lembranças de infância, momentos felizes, perdas, escolhas, erros, acertos e sonhos que talvez ainda resistam em algum lugar escondido dentro dele.

As horas passam. O dia termina. A noite retorna. Para ele, quase nada muda. Os dias se confundem, misturados entre a sobrevivência e a invisibilidade.

Cada amanhecer traz a mesma pergunta: onde conseguir alimento? Onde encontrar abrigo? Onde encontrar um pouco de respeito? A rotina se repete, mas a dor nunca se torna completamente normal. Mesmo aqueles que vivem à margem continuam sentindo, desejando e esperando por algo melhor.

Talvez o maior peso que carregue não seja o velho cobertor sobre os ombros, mas a indiferença de um mundo que aprendeu a olhar através das pessoas, sem realmente enxergá-las.

Porque muitas vezes não é apenas a falta de dinheiro, de moradia ou de recursos que machuca. É a sensação de não ser lembrado, de passar por centenas de pessoas todos os dias e ainda assim permanecer invisível. É sentir que sua existência se tornou um detalhe ignorado na pressa de uma sociedade que raramente para. 

E, enquanto segue sua caminhada sem destino, deixa uma pergunta silenciosa para todos nós: quantos andarilhos cruzam o nosso caminho esperando não apenas por um pedaço de pão, mas por um gesto simples de reconhecimento, capaz de lhes devolver, ainda que por um instante, a dignidade de serem vistos como seres humanos?

Talvez uma palavra, um olhar sincero ou uma atitude de respeito não mudem completamente a realidade de alguém que vive nas ruas. Mas podem mudar aquele momento. Podem lembrar que, apesar das dificuldades, ainda existe humanidade. E talvez seja justamente nesses pequenos gestos que começa a transformação de um mundo onde ninguém deveria ser invisível.

Ele anda devagar pelas ruas estreitas ou becos da cidade.

As horas passam, o dia acaba, a noite chega,

Para ele não faz diferença.


Obrigada pela visita,

Cidália.




terça-feira, 30 de junho de 2026

Frustação



                                                           (foto gerada pela internet)


Aos poucos, as pessoas vão se afastando. Não de maneira brusca, nem por uma discussão declarada. O afastamento acontece em silêncio, quase imperceptível, como quem se levanta da mesa para buscar alguma coisa e demora mais do que deveria para voltar. Quando alguém percebe, a distância já se instalou.

Naquela tarde, a decepção estampada no rosto de quem esperava era impossível de esconder. Entre os adultos, pairavam perguntas que ninguém dizia em voz alta. Teria sido falta de comunicação? Falta de vontade? Falta de comprometimento? Talvez um pouco de cada coisa. Talvez apenas o desencontro tão comum na vida das famílias, mas que, para quem espera com o coração cheio de expectativa, ganha proporções muito maiores.

A menina aguardava aquele encontro havia dias. Imaginava as brincadeiras, as conversas e as risadas que dividiria com o primo. Na sua cabeça, a visita tinha um roteiro simples: chegar, encontrá-lo e passar algumas horas felizes ao lado dele. Era esse o motivo que fazia seus olhos brilharem durante o caminho.

Mas a realidade, como costuma acontecer, não seguiu o plano.

Assim que chegou, soube que o primo já havia ido embora. Não houve tempo para um abraço, para uma brincadeira rápida ou sequer para um “até logo”. Ele simplesmente não estava mais lá.

A notícia caiu sobre ela como uma chuva inesperada em dia de festa.

— Quero voltar para a casa da vovó. A menina se manifestou atraves de gestos.

Foi a primeira reação. Direta, sincera, impossível de disfarçar. As crianças ainda não aprenderam a esconder suas frustrações atrás de sorrisos educados. Sentem tudo com intensidade e demonstram exatamente o que sentem.

Enquanto isso, o café já estava servido. A mesa estava bonita, preparada com carinho. O aroma do café recém-passado se misturava ao cheiro do bolo que sua mãe havia feito especialmente para levar ao encontro. Havia conversa, movimento e boa vontade ao redor.

A menina sentou-se, mas contrariada.

Aceitou um pedaço do bolo. Comia devagar, olhando para os lados, como se ainda esperasse que o primo aparecesse por alguma porta da casa e dissesse que tudo não passara de um engano.

Os avós observavam a cena em silêncio. Os pais trocavam olhares discretos, sem saber exatamente o que dizer. Havia pouco a explicar para um coração infantil que só conhecia a lógica simples da expectativa: quando esperamos muito por alguém, queremos encontrá-lo.

A tia,  a anfitriã daquela tarde, fazia de tudo para agradar. Oferecia mais bolo, sugeria brincadeiras, puxava conversa, tentava preencher o vazio deixado pela ausência do bisneto. Seu esforço era visível e sincero. Mas algumas ausências não podem ser substituídas, principalmente quando ocupam um lugar tão específico na expectativa de uma criança.

O tempo passou mais rápido do que deveria.

A visita, que prometia ser longa e animada, foi sendo encurtada pelas circunstâncias. Aos poucos, os assuntos terminaram, os compromissos chamaram e as despedidas começaram a acontecer. A priminha também saiu com os pais. Tinham outros lugares para ir, outras obrigações para cumprir.

E, de repente, a casa ficou mais vazia.

Para os adultos, talvez tivesse sido apenas uma tarde comum, marcada por desencontros e agendas diferentes. Mas, para a menina, a história era outra. Para ela, a visita havia terminado antes da hora. Não porque o relógio avançara depressa, mas porque aquilo que mais importava nunca chegou a acontecer.

No caminho de volta, ela carregava uma tristeza silenciosa, dessas que só as crianças conhecem bem. A tristeza de quem imaginou uma tarde inteira de brincadeiras e precisou voltar para casa apenas com a lembrança daquilo que poderia ter sido.

E talvez seja justamente assim que os afastamentos começam: não nos grandes conflitos, mas nas pequenas ausências. Nos encontros que não acontecem, nas expectativas que ficam sem resposta e nas visitas que, para alguém, terminam antes da hora.

Obrigada pela visita,

Cidália.



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Agradecimento

 



Às vezes, basta uma simples mensagem no WhatsApp para alegrar uma pessoa. Foi exatamente isso que aconteceu com ela.

Ao abrir o celular naquela noite, encontrou uma mensagem enviada por uma professora amiga. Curiosa, começou a ler e, a cada palavra, sentia o coração se encher de alegria. A amiga contava que havia proposto aos alunos uma atividade sobre memórias e, para enriquecer a pesquisa, pediu que visitassem o seu blog.

A notícia já seria suficiente para deixá-la feliz e aquecer seu coração. Mas havia mais.

Entre tantos textos publicados ao longo dos anos, um deles havia sido escolhido para compor a avaliação da turma. Era um poema muito especial, escrito para registrar momentos felizes vividos ao lado da neta, aqueles instantes simples que o tempo transforma em tesouros da memória. O poema foi transformado numa história em quadrinhos para a adaptação das crianças que ainda não sabem ler convencionalmente.

A professora contou ainda que falou sobre ela para os alunos, apresentou um pouco de sua história e de sua trajetória dedicada à Educação. Ao ouvir isso, a emoção tomou conta de seu coração. Não eram apenas palavras. Era o reconhecimento silencioso de uma caminhada construída com esforço, afeto e dedicação.

Por alguns instantes, vieram à mente lembranças das salas de aula, dos rostos curiosos, dos desafios enfrentados e de tantas sementes plantadas ao longo dos anos. Quem dedica a vida à Educação raramente sabe onde cada uma delas irá florescer. Por isso, receber aquela mensagem teve um significado profundo.

Ela sentiu-se feliz, orgulhosa e, acima de tudo, agradecida. Agradecida por perceber que sua história não havia sido esquecida. Agradecida por saber que crianças puderam conhecer um pouco de seu trabalho, de seus escritos e dos valores que sempre procurou transmitir. Agradecida porque suas palavras, mesmo escritas para passar o tempo, estavam encontrando novos leitores.

Mais do que uma homenagem, aquela experiência representava uma ponte entre gerações. De um lado, as memórias registradas em um poema, de outro, jovens estudantes descobrindo a importância das lembranças, das histórias de família e da leitura.

Ela guardou a mensagem com carinho. Não apenas no celular, mas na memória e no coração. E fez um desejo silencioso: que aquelas crianças desenvolvam o gosto pela leitura, aprendam a valorizar as histórias que carregam consigo e descubram, nos livros e nas palavras, companheiros para toda a vida.

Porque, afinal, quando uma lembrança é compartilhada, ela deixa de pertencer a uma única pessoa e passa a viver na memória de muitos outros.

"Um agradecimento especial à professora Almira pela iniciativa, que Deus a abençoe grandemente!"


Muito obrigada!

 Cidália



terça-feira, 9 de junho de 2026

A neta

 


Ela sai sem passar, sequer, um batom,
o cabelo preso às pressas,
a bolsa a tiracolo balançando no compasso dos passos.
Ao seu lado seguem a nora e a neta,
numa manhã comum que, sem aviso,
se transforma em memória.

A vaidade tirou folga,
ficou esquecida sobre a penteadeira.
Hoje não há espelhos que importem,
nem compromissos mais urgentes
do que o brilho dos olhos pequenos
que a chamam para brincar.

O dia é todo da neta.
Tem dancinhas na sala,
risadas que ecoam pelos cantos da casa,
personagens coloridos na hora do desenho,
mãos puxando as suas
para mais uma aventura inventada.

E ela vai, inteira,
entregando tempo, carinho e presença,
colecionando instantes que não voltam,
mas permanecem vivos no coração.

Entre uma brincadeira e outra,
surgem fotos espontâneas,
dessas que dispensam poses e filtros,
porque a felicidade verdadeira
não precisa de ensaio.

Nas imagens, talvez nem perceba
o cabelo desalinhado ou a roupa simples.
O que ficará registrado será muito maior:
o amor sereno de uma avó,
a alegria de uma neta,
e a beleza rara dos dias comuns
que, sem fazer alarde,
se tornam eternos.


Obrigada pela visita,

Cidália

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Desencontros

 

As coisas nem sempre saem do jeito que queremos.
Apesar de estarem aposentadas, algumas ainda têm responsabilidades, trabalhos voluntários ou compromissos inadiáveis. Escolher uma data que seja boa para todas não é uma tarefa simples.

No começo parecia fácil. Bastava sugerir um restaurante, escolher um dia qualquer e confirmar presença no grupo. Mas os dias foram ficando apertados, as agendas ganharam novos compromissos e o tempo, que antes parecia abundante, passou a escapar pelas frestas da rotina.

Duas tinham compromisso naquele dia. Outra não respondeu a mensagem. Havia também quem simplesmente estivesse cansada demais para sair de casa depois de uma semana cheia de pequenas obrigações invisíveis aos olhos dos outros. Nos dias seguintes uma delas já tinha se comprometido com a igreja.

A impressão que fica é que aquelas que estão mais disponíveis acabam insistindo em cumprir um objetivo proposto no ano anterior: um encontro por mês. Uma meta criada no entusiasmo do momento, quando todas estavam emocionadas com a ideia de não deixar a amizade se perder com o passar do tempo.

Naquele dia parecia simples. Entre risadas, sobremesas e lembranças antigas, alguém sugeriu:
— Precisamos nos encontrar mais vezes.

Todas concordaram imediatamente, como se a boa vontade fosse suficiente para vencer as dificuldades da vida adulta. E talvez, naquele instante, realmente acreditassem nisso.

Mas a vida não costuma obedecer aos nossos combinados.

— Não é preciso fazer um encontro por mês — disse uma delas, em uma das intermináveis tentativas de marcar um almoço.

Houve um breve silêncio depois da mensagem. Não um silêncio de raiva, mas daqueles que obrigam cada pessoa a pensar um pouco sobre si mesma. Porque, no fundo, ninguém queria decepcionar ninguém. O problema é que vontade e disponibilidade raramente caminham juntas.

Algumas começaram a interpretar as ausências como desinteresse. Outras se sentiram pressionadas pelas insistências. Sem perceber, uma coisa que deveria ser leve começou a ganhar o peso das obrigações.

Talvez o erro tenha sido transformar afeto em meta.

Amizades não funcionam como reuniões de trabalho nem precisam cumprir calendário. Existem pessoas que passam meses sem se ver e continuam se querendo bem da mesma forma. O carinho verdadeiro não desaparece porque alguém faltou a um almoço ou respondeu tarde uma mensagem.

O que, a princípio, parecia algo grandioso tornou-se um desafio. O que parece importante para uma pessoa nem sempre tem o mesmo significado para a outra — e tudo bem.

Com o tempo, cada uma foi entendendo que envelhecer também é aprender a respeitar os próprios limites e os limites dos outros. Há dias em que a companhia faz falta. Em outros, o silêncio da própria casa parece suficiente.

Nada deve ser imposto; as vontades precisam ser respeitadas. Cada um deve fazer o que quer, e quando quiser, sem cobranças disfarçadas de preocupação.

Porque encontros marcados podem até falhar. Datas podem nunca coincidir. Sempre haverá alguém impossibilitado, atrasado ou cansado demais.

Mas amizade de verdade talvez não dependa tanto da presença constante.
Às vezes ela permanece justamente nos desencontros.

 

 

Obrigada pela visita,

Cidália.

 

PS: Sinta-se à vontade para manifestar a sua opinião. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Sorrateiro

 


Há menos de um ano,

 ele surgiu —
feito segredo atravessando o quintal.

Não vinha só.
Um outro corpo ao lado:
irmão? mãe? sombra?
Eram dois mistérios
caminhando pelo forro,
saltando telhados,
costurando a vizinhança com passos leves.

Bastou uma porta entreaberta
para que o mundo mudasse de lugar.
Ele entrou assim —
de mansinho,
sorrateiro,
como quem não quer nada
e, no fundo, quer ficar.

Ficou… sem ficar.
Arisco e doce,
presença de vento:
às vezes noite inteira,
às vezes só manhã,
às vezes um relâmpago de tarde.

Dormiu na poltrona perto da porta
como se guardasse fronteiras invisíveis.
Sumia por horas, por dias —
mas sempre voltava,
como quem sabe
o caminho do afeto.

Tinha duas casas?
Ou dois pedaços de mundo
que o chamavam pelo mesmo silêncio?

Um dia, o outro não veio mais.
E ele, sozinho,
foi ficando.

Conquistou confiança
como quem planta ternura:
subiu no colo,
fez morada no abraço,
aconchego manso —

feito verso antigo de canção:
chegou sorrateiro,
como quem chega do nada,
e se instalou,
posseiro, delicado,
dentro do coração.

Até que, numa dessas andanças,
o mundo foi menos gentil.
Algo amargo cruzou seu caminho —
veneno? descuido? maldade?

Nunca saberemos.

Mas ele voltou.

Voltou para dizer adeus
no idioma breve dos miados,
nos olhos que pediam colo
pela última vez.

E partiu
como chegou:
sorrateiro.

Não teve nome —
não desses que cabem em papel.

Mas tinha um chamado
feito de carinho e repetição:

Tchu Tchu.

 

 Obrigada pela visita,

Cidália.