Ela caminhava ao lado do marido por uma das áreas de um hospital quando, de repente, algo inesperado interrompeu o curso habitual daquele dia. Em meio à movimentação de pessoas, passos apressados e pensamentos que talvez estivessem voltados às preocupações daquele lugar, seus olhos encontraram um rosto conhecido.
Por um instante, o tempo pareceu hesitar.
Vinha em sentido contrário uma mulher que caminhava devagar, acompanhada de uma moça. Havia algo naquele rosto que despertava lembranças guardadas em algum cantinho da memória. E então, como uma fotografia antiga que de repente ganha vida, a recordação se fez nítida, era uma amiga dos tempos do magistério!
Quantos anos haviam passado desde aqueles dias de juventude, quando os sonhos eram tantos e o futuro parecia oferecer infinitas possibilidades? Quantas histórias haviam sido escritas desde então? Quantos caminhos diferentes cada uma havia percorrido?
Sem precisar de muitas palavras, o reconhecimento aconteceu. Os olhos se iluminaram, os sorrisos se abriram e os braços se encontraram em um abraço que parecia querer recuperar, em poucos segundos, quase meio século de distância.
Era mais do que um simples encontro. Era o reencontro de duas histórias que, um dia, haviam caminhado lado a lado.
Ali, naquele ambiente hospitalar, onde tantas vezes os pensamentos se voltam para a fragilidade da vida, o passado veio ao presente para oferecer um instante de alegria, ternura e surpresa.
O tempo, porém, era breve. Havia compromissos, havia caminhos a seguir. Ainda assim, aproveitaram aqueles preciosos minutos para falar de algumas das antigas colegas, relembrar nomes, buscar notícias e, quem sabe, imaginar onde estariam as demais amigas que um dia compartilharam a mesma sala de aula, os mesmos aprendizados e os mesmos sonhos.
E como não registrar aquele momento?
Uma coincidência tão bonita merecia ficar guardada. Afinal, a vida nem sempre nos concede a oportunidade de reencontrar alguém que fez parte de uma fase tão significativa da nossa história. Por isso, uma fotografia se tornou necessária, uma maneira de dizer ao tempo que, apesar de tudo o que passou, certas lembranças continuam vivas.
Quarenta e seis anos haviam se passado desde a formatura do magistério. Quarenta e seis anos de vidas transformadas, famílias constituídas, alegrias celebradas, dificuldades enfrentadas e tantas experiências que cada uma poderia contar.
Durante todo esse tempo, houve apenas um encontro entre os antigos formandos. E, mesmo naquela ocasião, nem todos puderam estar presentes.
Quanta vida cabe em quarenta e seis anos! Quantas histórias ficaram por contar, quantos abraços deixaram de acontecer, quantas saudades permaneceram à espera de uma oportunidade!
Talvez seja justamente isso que torne aquele encontro tão especial. Ele não foi planejado, não aconteceu em uma festa de confraternização nem em uma reunião organizada para celebrar o passado. Aconteceu por acaso, em um corredor de hospital, quando duas mulheres que compartilharam uma parte da juventude se reconheceram em meio à multidão.
A vida tem dessas delicadezas. Quando menos esperamos, ela abre uma pequena janela para o passado e nos permite espiar, por alguns instantes, quem fomos e de onde viemos.
E, naquele abraço, não estavam apenas duas mulheres que se reencontravam depois de tantos anos. Estavam também as jovens que um dia sonharam juntas, as estudantes que se preparavam para ensinar, as amigas que talvez nem imaginassem quanto tempo passaria até que seus caminhos voltassem a se cruzar.
O encontro foi breve, mas há momentos que não precisam de muito tempo para se tornarem inesquecíveis.
Naquele dia, entre os corredores de um hospital, o destino reuniu duas antigas amigas e mostrou que a memória afetiva não conhece distâncias nem calendários. Os anos podem mudar os rostos, embranquecer os cabelos e transformar os caminhos, mas não apagam aquilo que foi vivido com carinho.
E assim, em meio à rotina de um dia qualquer, um abraço devolveu à vida um pedacinho de uma história que nunca deixou de existir.
Porque algumas amizades não precisam estar presentes todos os dias para continuarem fazendo parte de nós. Basta um reencontro, um olhar reconhecido e um abraço sincero para descobrirmos que, apesar dos quarenta e seis anos, há laços que o tempo não desfaz.
Um abraço que atravessou o tempo!
Grata pela visita,
Cidália.



