domingo, 5 de março de 2017

13- Crime perfeito (conjecturas)




Na pensão da Nair, o segundo dia foi cheio de novidades para Suzana. Ela ouviu no café da manhã, uma conversa do casal que estava hospedado lá. A conversa era sobre o hóspede que desaparecera na noite do do réveillon. Ficou de boca aberta ao descobrir que o tal homem era o agente do seu marido. E quase teve um colapso ao ficar sabendo que ele tinha ido se encontrar com um amigo no sul do país. 

Atenta à conversa que passou a ter a participação das outras hóspedes, descobriu que esse amigo provavelmente era o escritor. Enquanto levava a xícara aos lábios, ela procurava lembrar daquela noite. 

Lembrou que estava pronta para sair. Eles iriam jantar fora, quando ela reclamou que estava com dor de cabeça. Então, Cassiano  preparou um chá e lhe deu com um analgésico. Ela acordou no dia seguinte com ele ao seu lado. 

Não lembrava de quantas horas dormiu. Será que nesse meio tempo ele saiu para se encontrar com o agente? O comprimido que ele lhe dera era um sonífero? Não estava entendendo nada. Qual o motivo do Cassiano se encontrar com o Josias sem falar com ela? 

Pensou na conversa que tivera, no dia anterior, com o dono da banca de revistas, sobre a faxineira. Qual a relação da morte dela com o sumiço do agente? 

Após o café, Suzana saiu. Precisava conversar com o delegado. Se apresentou como jornalista, e ao ser cobrada a credencial, ela disse que deixara, na pensão, numa outra bolsa.

Como todos os habitantes daquela cidade que já fora pacata, o delegado era um homem muito simpático e atencioso. Recebeu Suzana e foi minucioso ao detalhar os casos que estava investigando.

Ela saiu dali atordoada com as coisas que ouviu. 

Quem cometeria um crime bárbaro com uma mulher e jogaria o corpo num rio? E essa faxineira que se matara? Havia trabalhado na casa do escritor. E o agente do seu marido que estava desaparecido? O Cassiano não devia estar sabendo. Aliás, fazia tempo que ele não falava no seu agente e nos eventos da Editora.

Segundo o delegado, em breve sairia o resultado do exame da arcada dentária e, então, saberiam quem era aquela mulher encontrada, destroçada, dentro da mala.

Suzana sentou-se num banco da praça e ficou pensando em tudo que ouvira. Lembrou que na ocasião da morte da faxineira, Cassiano tinha viajado. Ela não lembrava para onde, só que ele ficara uns dias fora. Ele não usou o carro dela, preferiu alugar um. Sentiu um frio na espinha! 

De repente, quis saber se o escritor estava procurando por ela. Qual a sua reação ao se dar conta de que ela fora embora? Onde ele estava agora? Na fazenda ou na cidade? Num impulso levantou, foi até um orelhão e fez um interurbano a cobrar para sua casa da cidade. A chamada caiu. 

Ela teria que voltar para casa e enfrentá -lo. Contaria sobre seus sonhos se fosse necessário. Ele teria que falar sobre seu passado para ela, sobre sua ex mulher e sobre seus projetos. Ficaria mais uns dias até que saísse o resultado do exame que identificaria o corpo daquela pobre mulher.

No dia em que o resultado saiu, a pequena cidade ficou em polvorosa. A dona do corpo esquartejado era a ex mulher do seu marido. A tal Belinda. Mais um motivo para o investigador encontrar o escritor o mais rápido possível. Suzana teria que se identificar e contar sobre o cruzeiro e os nomes falsos. Cassiano poderia estar muito longe.

Segundo o Josias, o escritor tinha viajado com a Belinda para Veneza, só que quando ela o conheceu, ele estava sozinho e dissera que estava solteiro.

O medo fez Suzana estremecer e pensar no seu pai. Ele não gostou do escritor quando o conheceu. O amor pode cegar uma mulher? Como ela poderia ter se enganado tanto assim em relação ao companheiro? E se a Belinda tivesse sido vítima de um psicopata?

E se o psicopata fosse o Cassiano? Se ela voltasse para casa e ele estivesse esperando para se vingar por tê-lo abandonado? Não queria terminar a vida dentro de uma mala. 

Pediu para usar o telefone da pensão e ligou para o delegado. Precisava conversar com ele novamente. Marcou um horário para o dia seguinte. Naquela noite chamou a Nair no quarto e contou quem era.

- Peço que a senhora me escute e me perdoe antes de falar qualquer coisa. 
- Nossa, moça, o que está acontecendo?
- Amanhã cedo vou conversar com o delegado. Meu nome não é Ilana. Sou Suzana, a atual mulher do escritor Cassiano. 
- Ah? - dona Nair a olhou espantada.
- Eu e ele estávamos num cruzeiro, quando vi uma foto dele com a esposa numa revista antiga. Como tinha o endereço, resolvi desembarcar sozinha e vim para cá. Eu precisava saber um pouco sobre a sua vida. Ele desconversava quando eu perguntava sobre seu passado. Na foto o casal parecia feliz. Não agi por mal, estava procurando respostas. Posso ajudar o delegado contando o pouco que sei.

- Santo Deus! Será que o Josias foi se encontrar com ele naquela noite? 
- Não sei, o Josias era seu agente. Tinham assuntos em comum, alguns trabalhos pendentes, talvez.

As duas mulheres despediram-se depois de combinarem de irem juntas à delegacia no dia seguinte. Suzana passou a noite em claro e foi a primeira a levantar. Assim que entrou na cozinha, dona Nair apareceu bocejando. Sua noite, também, fora mal dormida. Após o café as duas saíram e foram se encontrar com o delegado.

Numa conversa informal, Suzana se apresentou como a atual esposa do Cassiano e justificou a sua pequena mentira na visita anterior. Ao saber que ele era suspeito no crime da mala e no desaparecimento do Josias, ela deu seu endereço. Contou sobre a fazenda e a casa da cidade. 

Suzana comentou sobre a viagem do seu companheiro na ocasião da morte da Rosa, a faxineira. Repetiu tudo o que havia contado à dona da pensão. Eram poucas informações, porém valiosas. O delegado entraria em contato com a polícia da cidade onde morava o casal, no sul do país.

Tanto a dona da pensão como o delegado, acharam melhor a Suzana continuar por ali onde ficaria protegida. Pelo menos até a polícia localizar o escritor e aqueles casos fossem esclarecidos. Ela acatou a sugestão, estava gostando daquele lugar, daquelas pessoas. 

O delegado sabia que até aquele momento não tinha nenhuma prova contra o Cassiano.  Eram apenas conjecturas. 

No caso do corpo dentro da mala, sabia-se que pertencia à ex mulher do escritor. Precisavam do depoimento dele para saber qual a última vez que ele falara com ela. A data em que os dois saíram da cidade, juntos, foi comprovada pelo frentista que o atendeu na manhã em que viajaram. Ele comentou que viu a Belinda cochilando no banco do carona.

Ainda bem que a Suzana estaria protegida, ali, com àquelas pessoas simples e bondosas. 
Os dias do cruel assassino estavam contados. Será? Faltavam provas, mas o delegado não descansaria enquanto não solucionasse aqueles casos.


Para àqueles que usam a plataforma whattpad, segue o link para acompanhar a história em sequência.

Para quem prefere acompanhar pelo blogger seguem os links dos capítulos anteriores.





Sua opinião é sempre bem vinda! Obrigada!! Abraços! 

Cidália.





32 comentários:

  1. A Susana virou detetive. Que bom que ela está ajudando a desvendar os crimes! Agora a trama parece estar no fim. O duro são as provas!!

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    1. Pois é, Vera!! Sim, está chegando ao fim! Aguarde o que vem por aí!!!

      Obrigada pelo carinho e apoio, beijos! ❤

      FELIZ DIA DA MULHER!!

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  2. Ual, a historia tomou um rumo interessante, doida pro final!

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  3. Amo histórias assim, envolvente. Já quero saber o que irá acontecer.

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    1. Aguarde o que vem por aí!!

      Obrigada pelo comentário, beijo! ❤

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  4. Cidália os seus contos são sempre emocionantes, deixa a gente curiosa até o final, eu estou me mordendo aqui, Cidália bjs.

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    1. Olá, Lucimar!! Muito obrigada pelo apoio e incentivo!

      Beijos ❤

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  5. Oi
    Eu adorei a história 👏 é bem interessante.
    Vou ler os capítulos anteriores 😉
    Bjo

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    1. Olá, Joana, muito obrigada!
      Que bom que você gostou!!
      Espero que goste dos outros capítulos.
      Beijo ❤

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  6. Cidália vc está se tornando uma ótima escritora de suspense ,suas histórias conseguem envolver to adorando, louca pra ver o final dessa trama .

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    1. Oi, Cleuza, obrigada pelo apoio e incentivo!!
      Aguarde!!
      Beijos ❤

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  7. Eu adoro seus contos, você realmente tem o dom. Ele nos prende do início ao fim e sempre queremos mais. Adorei !!
    Beijos

    www.baudasresenhas.com.br

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    1. Muito obrigada, Luciana, pelo incentivo e carinho!!

      Beijos ❤

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  8. Você escreve muito bem e deve ouvir sempre pra escrever um livro, não é?! Rs
    Parabéns, a história está emocionante e nada previsível!

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    1. Muito obrigada, Daniela!! Sim e bem que eu gostaria! Quem sabe, um dia!!
      Beijos ❤

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  9. Que conto bacana e envolvente! Gosto da forma como escreve, Cidália!
    Espero que esse asassino seja logo encontrado, o final parece ser emocionante!

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    1. Muito obrigada, Vany, pelo comentário!!
      Aguarde...

      Beijo ❤

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  10. Ai meu Deus, gostei muito, você escreve muito bem, mas para me situar vou ter de ler os outros, quero muito saber como tudo começou ...
    Bjs ❤
    Minda

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    1. Obrigada, Minda, pelo comentário!
      Espero que goste da trama!!
      Beijos ❤

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  11. Nossa, que trama!! Quero saber de tudo já.

    Beijos e uma semana maravilhosa!
    DMULHERES@_sheylaxavierFanpage

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    1. Obrigada, Sheyla, pelo comentário!!
      Aguarde...

      Uma ótima semana a você também!
      Beijo ❤

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  12. Que trama emocionante, quero ver os outros capítulos.
    Já copiei os links para depois baixar, sou louca por historias de suspense.
    Bjinhos,
    www.prosaamiga.com.br

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    1. Obrigada, Fernanda, pelo apoio e carinho!!
      Oba, espero que goste dos outros capítulos!

      Beijinhos ❤

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  13. Nossa, bem intrigante, adorei! quero ver a continuação bjo

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    1. Obrigada, Cibele, pelo comentário!!
      Aguarde...
      Beijo ❤

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  14. Respostas
    1. Obrigada pelo comentário e apoio, Sara!!

      Beijo ❤

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  15. Olá,
    Nossa, que historia muito bom, é bem interessante.
    Precisa ter um livro para você né.
    Beijos

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    1. Olá, Karol!!
      Muito obrigada pelo comentário!
      Bem que eu gostaria, rsrs.
      Beijos ❤

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  16. Cidália, fiquei sem reação quando a Suzana cogitou voltar para o sul, disposta a enfrentar o Cassiano. Ainda bem que ela esperou o resultado da perícia. Agora a história está me deixando muito curioso, estou ansioso para saber o que vai acontecer. Mais uma vez, estou adorando a história, Cidália. Parabéns. :D
    Abraço!

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    1. Muito obrigada, Leandro!
      Você não imagina como seu comentário me deixa feliz!!
      Abraço.

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