sábado, 9 de janeiro de 2016

Um anjo chamado Nadima



A vida é um mistério e apesar de muitos questionamentos, ninguém conseguiu, ainda, decifrá-lo. Janice, uma menina solidária e prestativa, gostava de ajudar os colegas e os professores na sala de aula.
E assim, ela cresceu e continuou a ajudar as pessoas na medida do possível. Filha de pais separados, família humilde, era a companheira da mãe nas tarefas da casa e nos cuidados com os irmãos. Era atenciosa com o padrasto e também se dava bem com a esposa do pai.
Casou-se muito nova, aos dezessete anos e teve dois filhos. Seu marido, um jovem de dezoito anos, era balconista numa loja de materiais de construção. Logo depois do nascimento do primeiro filho, Janice começou a trabalhar vendendo produtos de beleza. Sua mãe a ajudava cuidando do neto.
Quatro anos depois, nasceu o segundo filho do casal e para aumentar a renda da família, Janice se juntou  à mãe para fazerem salgados sob encomenda. Conseguiram uma boa freguesia.
Com os meninos maiores, Janice voltou a estudar a noite para terminar o segundo grau. O marido cuidava dos filhos. Ela era uma pessoa esforçada e depois de terminar o segundo grau fez um curso de enfermagem e conseguiu emprego no hospital da sua cidade.
Quando sua mãe adoeceu, ela cuidou dela com muito carinho, tomando para si toda a responsabilidade. E foi assim com o padrasto  e com o próprio pai. Teve que deixar o emprego para se dedicar aos cuidados dos familiares. Passou a ser recomendada como cuidadora. Era paciente e amorosa com os idosos.
Aos trinta anos de idade, Janice passou mal numa tarde e um dos médicos da sua cidade não descobriu o que ela tinha. Foi encaminhada para outra cidade, em outro Estado e o médico que a atendeu diagnosticou-a com lúpus.
Apesar do tratamento que estava fazendo ela não tinha melhoras, piorava a cada dia. O médico da sua cidade sem saber como tratá-la, encaminhou-a para Santos e foi lá, depois de um longo período de internação, que o médico que estava cuidando dela, junto a uma equipe médica, pediu seu consentimento para enviar uma foto ao amigo que estava nos Estados Unidos, estudando as doenças raras.
Janice começou a fazer outro tratamento a partir do novo diagnóstico, dermatomiosite. Ficaria dependente de mais medicamentos. Em nenhum momento ela se entregou. A sua força de vontade era imensa e vivia cada momento com alegria, sem perder a fé.
Seus caminhos se cruzaram com uma senhora que estava acamada, quando fora indicada para ser sua cuidadora.
Ela conquistou aquela senhora que a chamava de Nadima, e sua família. Apesar do agravamento da sua doença, tinha a pele do rosto bem avermelhada e a perda da sensibilidade em alguns dedos de uma das mãos; Janice cuidava com muito carinho da idosa. Dava banho, levava-a para passear e cantava hinos para ela dormir.
Sua paciência era enorme, não se incomodava com as palavras rígidas que, às vezes, ouvia da paciente. Tinha experiência com os enfermos, principalmente, os idosos. Sua voz tranquila acalmava-os.
Aos trinta e cinco anos, Janice ganhou uma neta. Assim como ela, um de seus filhos se casara muito jovem. Além de cuidar da sua paciente, ela ajudava a nora nos cuidados da criança. O marido, um homem bom, companheiro, estava sempre ao seu lado em todas as decisões.
Infelizmente, a doença foi se agravando, deixando marcas e inchaços no corpo dela e ela teve que se afastar da sua paciente. Precisou ficar internada para um tratamento intensificado.
Nesse meio tempo, a senhora, sua paciente, também foi piorando e deixou a família numa certa manhã de dezembro.
Exatamente um mês depois, Janice, uma mulher com menos de quarenta anos de idade, perdeu para a doença e foi se encontrar com a sua paciente.
Ficou para a família da idosa, a imagem e a voz de um anjo, um anjo chamado Nadima. Um anjo que foi tranquilizar a senhorinha com sua voz macia lá no céu. 


Dermatomiosite (DM) é uma doença crônica do tecido conjuntivo relacionada com a polimiosite (PM) que inflama todos os músculos, causando lesões na pele. Esta doença que pode ser hereditária é rara na infância, sendo mais comumente observada em adultos.[1] Enquanto a DM afeta mais frequentemente a pele e os músculos, é uma doença sistêmica que pode também afetar as articulações, o esôfago, pulmões, e, menos comumente, o coração.[2]
O diagnóstico é realizado através da história e exame físico, sendo corroborado pelas enzimas musculares, biópsia muscular, biópsia cutânea, eletroneuromiografia, ultrassonografia e ressonância nuclear magnética.
 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

26 comentários:

  1. Essa história serve como exemplo para as pessoas que vivem reclamando por qualquer banalidades ,parabéns a escritora que soube passar muita emoção nessa comovente história.

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    1. Sim Cleuza, a intenção é essa. Tomara que sirva como exemplo! Obrigada, Abraços!

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  2. Lutar sempre,desistir jamais.
    Parabéns pela história.

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  3. Creio que esse texto é um relato de algo real, que a autora colheu em algum noticiário. Porque é triste demais para ser um conto. O sentido dele é esclarecer e alertar sobre a doença rara, assim creio.

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    1. Infelizmente é um relato baseado numa história real. Conheci essa mulher ainda menina. Apesar de triste espero que esse conto sirva como um alerta. Abraços Vera!

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  4. É um conto muito triste, confesso que quando descobriram a verdadeira doença, imaginei que seria curada. Como na vida real, nem sempre as coisas acontecem como queremos, mas é um grande exemplo de luta e de amor à vida até o último instante. Parabéns por toda a emoção colocada no conto.

    www.atraentemente.com.br

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    1. Sim, um grande exemplo!
      Obrigada pelo comentário!
      Abraços.

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  5. Nossa é bem estranho saber que uma pessoa tão boa, que ajudava os outros aconteceu algo ruim. mas assim é avida.

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    1. Assim é a vida, não sabemos o que nos espera!
      Obrigada, beijo! ❤

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  6. Essa história é muito triste e comovente, mas nos faz refletir sobre valorizar a vida até o último minuto.
    Beijos

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    1. Verdade, temos que valorizar a vida até o fim.
      Beijos ❤

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  7. Que história triste.
    Mas também é um grande exemplo de luta e fé. Adorei o post.
    Bjs

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  8. oi!
    Um texto nos faz refletir sobre alguns atoas que tomamos.
    bjo

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  9. As vezes pensamos que se formos bons, bonzinhos, fofos, nada de mal vai nos acontecer, e então reclamamos da vida por qualquer motivo, se for contrário a nossa vontade. A vida não é fácil para ninguém, e vive melhor quem faz o melhor pra si e para seu semelhante. Gostei do conto, pena que existem poucas pessoas como Nadima, mas graças a Deus existem algumas iguais a ela!
    Um conto ótimo para refletirmos Cidália, valeu por compartilhar!

    Bjos
    Minda ❤ 😍

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    1. Verdade, Minda! Não é fácil p ninguém. E é importante que se faça o bem sempre!
      Fico feliz que tenha gostado, obrigada!
      Beijos ❤

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  10. Nossa que triste, um grande exemplo. Temos q pensar antes de reclamar da nossa vida.com certeza tem gente pior é com mais boa vontade do que nós. Tem post novo no blog. Vem conferir...
    Estilo.Quem tem?

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    1. Nem fale, às vezes reclamamos por qualquer coisa!
      Obrigada pela visita, bjos! ❤

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  11. Nossa parece fatos reais
    Beijos,
    http://emagrecendonovoestilodevida.blogspot.com.br/

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    1. Sim, é baseado numa história real!
      Obrigada, beijos! ❤

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  12. Que história triste , mais fiquei '' presa'' não consegui parar de ler. adorei beijos

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  13. Que conto mais profundo e real, mas triste. Baseado em fatos reais? Grande exemplo. Beijos!

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    1. Sim, conheci a protagonista! Lutou até o fim sem reclamar da vida.
      Obrigada, beijos!

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