domingo, 13 de agosto de 2017

Vida às avessas X (desilusão)



Ao caminhar pelos cômodos da casa, esperando encontrar alguém, dona Josefa respirava fundo para não derramar nenhuma lágrima. O silêncio reinava, a casa estava vazia! Ela saiu no quintal, talvez o filho estivesse esperando-a no carro. Porém, a garagem estava fechada.

O jeito era esperar. Certamente, Jesuíno viria buscá-la. Provavelmente, o carro estava lotado e ele voltaria em seguida. 

Dona Josefa pegou seu crochê para passar o tempo. Pensou em chamar um táxi, mas como estava confiante de que iria com o filho, não pegou o endereço do clube. O casamento seria realizado no próprio clube e não na igreja.

O telefone tocou, dona Josefa levantou-se e foi atender.

- Alô! Com quem gostaria de falar?

- Vovó, não reconheceu minha voz? Sou eu, Ariana. Como a senhora está? Estamos com muita saudade. 

- Oi, meu bem, eu também estou com muita saudade de vocês. Vou pedir para o Jesuíno me levar embora.

- Que bom vovó! Ficaremos felizes com a senhora aqui conosco. 

- Quero ajudar sua mãe a comprar uma casa, vou morar com vocês.

- Cadê o pessoal, vó? Sempre que ligamos alguém atende e diz que a senhora está descansando.

- Saíram. Hoje as gêmeas estão casando. É dia de festa para a família.

- E o que a senhora está fazendo em casa, vovó? Devia estar participando da cerimônia!

- Eu preferi ficar em casa, minha filha. Não gosto de tumulto - dona Josefa não teve coragem de contar para a neta que não a levaram.

- Que pena, vovó! Mas, eu entendo a senhora. Em breve estaremos juntas, se Deus quiser.

As duas conversaram por mais algum tempo e Ariana notou pela voz da avó que ela parecia triste. Devia ser por causa da saudade. Sueli aproveitou para conversar com a mãe, já que ela estava ao telefone. Contou que a Elizandra estava namorando e em breve ficaria noiva.

No final do dia, Jesuíno e a esposa chegaram em casa. As filhas foram diretamente para o hotel onde passariam a noite. Partiriam na manhã seguinte, cada uma com seu marido, para o destino escolhido. Ficariam algumas semanas em lua de mel.

Dona Josefa continuava sentada fazendo seu crochê. Não levantou a cabeça e não perguntou sobre o casamento. Jesuíno e Iracema se olharam e seguiram para o quarto. Estavam cansados e sem disposição para inventar desculpas.

Na manhã seguinte, o casal acordou cedo e saiu para passear. Eles pretendiam passar o domingo no clube para relaxarem.

Ao levantar e ir para a cozinha, dona Josefa notou que estava sozinha novamente. Preparou seu desjejum e foi para o quintal. Sentou-se num banquinho, debaixo de uma árvore, para ouvir o canto dos pássaros. Precisava tomar uma atitude e queria refletir.

Ariana saiu com a irmã para tomar um sorvete e ao passar pela praça viu o Geraldo acompanhado de uma bela moça. Era uma moça esbelta e chique. Parecia um pouco mais velha que ele. Eles estavam de mãos dadas e agiam como namorados. 

Bem feito para ela, pensou. Quem mandou agir como uma boba no dia em que ele lhe deu uma cantada? Àquela moça que o acompanhava parecia muito diferente dela.

- Por que você olha tanto para aquele casal, mana? - perguntou Elizandra.

- Não te contei antes porque a mamãe disse que aquele moço é sobrinho do seu Manoel que logrou o papai. Ele me parou no dia que eu ia passando por aqui e se apresentou. Eu não lhe dei atenção. Comentei com a mamãe e ela disse que nem queria ouvir falar sobre ele por causa do tio. 

- Poxa, mana, que pena! Ele é muito bonito. Mas, se ele tinha se interessado por você poderia ter insistido mais.

Ariana ficou com o coração partido e não percebeu a olhada que o Geraldo lhe deu ao se cruzarem. Daquele dia em diante deixaria de sonhar com ele. Seguiria sua vida ao lado da mãe e da avó. Provavelmente sua irmã seria a próxima a se casar.

Naquela noite quando Noel, o noivo da irmã, chegou para jantar na sua casa, foi logo despejando as informações. Parecia que ele tinha lido a mente da futura cunhada.

- Oi, boa noite! Vocês não imaginam o quê uma mulher pode fazer com um homem.

- Do que você está falando, querido? - quis saber Elizandra - eu fiz alguma coisa com você?

- Não estou falando de você, meu amor. Estou falando do sobrinho do seu Manoel.

- Desculpe meu rapaz, mas não quero ouvir esse nome - pronunciou dona Sueli.

-Ah, mamãe, deixe que ele conte o que ficou sabendo. Estamos curiosas - Elizandra não se aguentava de tanta curiosidade.

- Fale de uma vez, então, rapaz - Sueli abriu uma exceção por conta do pedido da filha.

- Parece que o moço estava apaixonado por alguém, mas numa noite de bebedeira acabou se envolvendo com uma moça rica e ela engravidou. Agora ele não tem coragem de abandoná-la, por causa do bebê, foi o que ouvi no trabalho.

- Nossa, coitado desse rapaz - Elizandra deu uma piscada para a irmã - então ele é gente boa, não puxou o tio.

Avó e neta sentem-se desiludidas por motivos semelhantes mesmo sem uma saber o que está acontecendo com a outra.

Dona Josefa, por causa do comportamento e atitudes do filho e da nora.  

E Ariana por ter encontrado o rapaz, por quem suspirava em seus devaneios, com outra moça.

Qual será o destino destas duas mulheres que têm muito em comum?

Não deixe de ler o próximo capítulo!


Sua visita me deixa muito feliz.

Obrigada!

Cidália.

PS: Meu agradecimento especial ao meu sobrinho, Marcos Wagner, por mais uma ilustração!









domingo, 6 de agosto de 2017

Vida às avessas IX (ganância)



Dona Josefa tinha pouca leitura, mal sabia assinar seu nome, mas como tinha plena confiança no filho, não se preocupava com os detalhes. Ela não precisou do consentimento dos filhos para vender a propriedade. Sua idade ainda lhe permitia que fosse responsável pelos seus atos.

O dinheiro recebido pela venda da propriedade foi dividido igualmente entre os filhos e a parte que lhe coube, dona Josefa pediu ao Jesuíno que abrisse uma conta no Banco para ela. Depois que as gêmeas se casassem ela pretendia voltar para sua cidade e morar com a Sueli. 

-Sabe, Jesuíno, sei que vai ser difícil a Sueli comprar uma casa com a parte do dinheiro dela. Se eu for morar com ela posso ajudá-la. 

-Não se preocupe com a Sueli, mamãe. Com o dinheiro que ela recebeu poderá dar a entrada numa casinha e vai pagando as prestações.

-Coitada da Sueli, é a única que não tem onde morar. Mora de favor numa escola! Ainda teve que arrumar lugar para guardar as minhas coisas quando desocupou a minha casa.

-Nem era tanta coisa, mamãe. A senhora só pediu que ela guardasse as coisas de valor, o restante mandou que doasse.

Na escola, Sueli e as filhas tiveram que guardar as coisas de dona Josefa no quarto do José Carlos. Ele usava pouco aquele quarto. Só visitava a família nos feriados prolongados.

Ariana seguia a sua rotina, ajudava a mãe, fornecia marmitas e lecionava como leiga. Ainda tinha esperança de reencontrar o Geraldo. Sempre que passava pela praça olhava para o bar do tio dele.

Elizandra começou a namorar com o filho de uma professora, um rapaz bom e trabalhador. Ele era dois anos mais velho que ela. Trabalhava durante o dia como frentista e estudava a noite. Pretendia ser professor de matemática.

Na casa de Jesuíno as coisas começaram a mudar. Iracema e as filhas se afastaram da dona Josefa. Davam-lhe o mínimo de atenção. As três saíam sempre, com a desculpa de comprar alguma peça para os enxovais ou simplesmente para dar uma volta.

Quando dona Josefa perguntava ao filho sobre a reforma do quarto ele desconversava, pois não tinha intenção de gastar a sua parte do dinheiro.  

Se um dos filhos ligava para saber dela, Jesuíno dizia que estava tudo bem e mal deixava a mãe conversar. E se um deles sugeria uma visita, Jesuíno era grosseiro com os irmãos.

-Mamãe está muito bem aqui, não se preocupe. Não temos quarto de hóspedes e o hotel fica longe. 

Ao se aproximarem da data do casamento das gêmeas, Jesuíno e sua esposa pediram dinheiro emprestado à dona Josefa.

-A senhora não precisa desse dinheiro e nós estamos precisando nesse momento.

-Você recebeu a sua parte, o que fez com o dinheiro, Jesuíno?

-Paguei umas dívidas que estavam atrasadas e agora temos que oferecer uma festa de casamento para as meninas.

-Estão contando com a minha parte para a festa? Não está certo isso! Se você não pode pagar uma festa para suas filhas, elas que casem sem festa.

-Vou pagar a senhora, se faz tanta questão desse dinheiro. Mas, aqui em casa a senhora não tem nenhuma despesa e ainda tem a pensão do papai.

-A pensão é uma mixaria, meu filho, mal dá para os medicamentos.

-Não precisa me emprestar tudo, só uma parte. Assim que eu puder pagarei a senhora. Meus irmãos não precisam ficar sabendo.

-Se é assim, vou te emprestar. 

Jesuíno com sua lábia, tinha o poder de convencer a mãe. Ele era muito esperto. A sua parte do dinheiro estava aplicada. Ele queria era sugar a sua progenitora. Sabia que se ela fosse embora ia acabar dando o dinheiro para a Sueli.

Dona Josefa emprestou o dinheiro ao filho e não teve coragem de contar aos outros filhos. Não queria que eles pensassem mal do Jesuíno. No fundo sabia que os irmãos não gostavam muito dele e da sua esposa, a achavam antipática e orgulhosa.

O tempo foi passando lentamente para algumas pessoas e muito rápido para outras. 

Ariana estava com muita saudade da avó e não conseguia falar com ela. Cada vez que ligava, uma das primas ou a tia dizia que a avó estava descansando. 

Com Sueli ou os irmãos acontecia a mesma coisa. Mesmo que ligassem em horários diferentes, a desculpa era de que a avó estava descansando e não podia atender, mas que ela estava bem de saúde.

Chegou o dia do casamento das gêmeas. Os noivos acharam melhor casarem no mesmo dia e dividirem a festa. Optaram por uma festa íntima, num dos clubes da cidade. Apenas a família e os amigos mais chegados foram convidados. Resolveram investir na lua de mel. Um casal iria para a França e o outro para Cancun.

Dona Josefa vestiu a sua melhor roupa  e quando saiu do quarto encontrou a casa vazia.

Será que esqueceram a pobre mulher?

Não deixe de acompanhar a história no próximo domingo!

Grata pela visita!
Abraços,
Cidália.






domingo, 30 de julho de 2017

Vida às avessas Vlll (encontro e desencontro)



Nos primeiros dias, Iracema agradou a sogra e estava ao seu lado fazendo-lhe companhia. Trocavam receitas, faziam tricô e costuravam. Quando um dos filhos ligava, Iracema ficava atenta à conversa.
Ao completar uma semana que dona Josefa estava ali, Jesuíno voltou a tocar no assunto da venda da propriedade.

- Mãe, a senhora poderá ajudar a Sueli se concordar com a venda. Queremos que fique aqui conosco pelo tempo que quiser. Vamos reformar seu quarto.

- Já estou sentindo saudade da minha casinha, meu filho. Sueli e as meninas poderão morar comigo.

- Tenho certeza de que a mana vai preferir ter a sua própria casa. E aqui a senhora será muito útil, poderá ajudar a fazer o enxoval das gêmeas. Depois quando cansar poderá ficar com a Sueli na casa nova.

Numa das conversas as netas manifestaram o desejo de que queriam que a avó bordasse seus enxovais. Uma delas a abraçou (a pedido da mãe) e falou:

- Nós também somos suas netas e amamos a senhora vovó. Queremos que fique perto de nós.

Dona Josefa que no fundo era mais apegada aos filhos da Sueli, sentiu um pouco de remorso. Gostava de todos os netos, era apenas questão de afinidade.

- Vou pensar sobre o assunto. O que seus irmãos acham, você já conversou com eles, Jesuíno?

- Já, minha mãe e eles disseram que quem decide é a senhora.

Ariana estava sentindo saudade da avó. No final de semana seguinte à sua viagem, ela foi cuidar dos animais. Dispensou a companhia da mãe e da irmã. Achou que a mãe ficaria triste ao ver a casa vazia sem os pais.

Ao passar pela praça, Ariana notou que um rapaz a observava. Ela não o conhecia, era a primeira vez que o encontrava. Provavelmente era alguém que estava de passagem por ali. Continuou andando sem olhar para trás. Será que ele continuava observando-a?

Quando retornou da casa da avó, no final da tarde, viu que o tal rapaz estava em frente ao bar do Seu Maneco, o comerciante que logrou a sua mãe. Ele devia ao seu pai uma grande soma em dinheiro e com a morte dele, não pagou. Seu pai confiava nas pessoas e não tinha nenhum documento assinado.

O rapaz abordou-a e puxou assunto:

- Boa tarde, senhorita, posso acompanhá-la?

- Desculpe, eu não o conheço.

- Sou o Geraldo, sobrinho do dono do bar, trabalho com vendas. Qual a sua graça?

- Estou com pressa, até logo!

- Não vai me dizer seu nome, moça bonita?

- Adeus - Ariana abaixou a cabeça e seguiu adiante. Acelerou os passos para se afastar o mais rápido possível daquele moço encantador. Jamais fora abordada por algum rapaz e ficou sem ação, naquele momento.

Assim que chegou em casa ficou sabendo que a mãe telefonara para casa do seu tio Jesuíno e recebera a notícia de que a vovó ficaria por lá mais algum tempo. Ela estava pensando em vender a propriedade. Talvez nem voltasse para retirar suas coisas. A própria Sueli poderia encaixotar tudo, que o Jesuíno iria buscar.

- Mãe, o tio Jaime e o tio Jurandir já sabem dessa novidade?

- Se eles ligaram pra lá já devem estar sabendo. Não consigo acreditar que a mamãe vai se desfazer da casa onde viveu a vida inteira com o papai.

- Tio Jesuíno a convenceu. Sabe-se lá como, mas ele e aquela mulher conseguiram conquistar a vovó.

- Bom, se é a vontade dela não podemos fazer nada, minha filha.

- Mamãe, você conhece o sobrinho do seu Maneco?

- Nem quero ouvir esse nome, menina. Por causa dele que perdemos tudo o que tínhamos.

Ariana nem se atreveu a continuar a conversa. Naquela noite, deitou para dormir, pensando naquele moço alto, moreno e de olhos acinzentados.  Sua voz ainda ecoava em seus ouvidos. Mas ela não poderia contrariar sua mãe.

A rotina do seu dia a dia a enchia de alegria. Morar na escola tinha suas vantagens. Ela tinha acesso à biblioteca nas horas livres. Podia viajar através das leituras. Ali, sentia a presença do avô querido que a incentivara a ler.

Sua irmã estava se saindo muito bem na costura. Ela e a mãe tinham algumas freguesas. Faziam as encomendas durante a noite e nos finais de semana. Quando alguma freguesa via os trabalhos de tricô feito pela Ariana, acabava comprando alguma peça.

Sueli e as filhas levavam a vida tranquilamente. Ariana nunca mais viu o Geraldo. Chegou a pensar em perguntar ao tio dele, mas desistiu. Sua mãe ficaria triste se soubesse. O moço bonito se tornou um sonho impossível.

Na casa de Jesuíno tudo estava acontecendo conforme seus planos. Ele arrumou comprador para a propriedade da mãe e como os documentos já estavam em seu poder, foi tudo rápido.


Jesuíno foi persistente e convenceu a mãe a fazer o que ele queria, mas será que dona Josefa fez a coisa certa?

E Ariana encontrará, algum dia, aquele jovem atraente que mexeu com a sua cabeça?

Não deixe de acompanhar o próximo capítulo!

Obrigada pela visita!!
Abraços!
Cidália.

PS: desenho feito por Marcos Wagner.











domingo, 23 de julho de 2017

Vida às avessas Vll (insistência)




No dia seguinte, após o café, Iracema convidou Sueli e as filhas para darem uma volta. Alegou que queria comprar uma lembrancinha para as meninas. 

- Não sei quando vamos nos ver novamente e quero comprar algo para suas filhas, Sueli. 

- As meninas agradecem e eu também, mas neste momento preferimos ficar com a mamãe - disse Sueli.

- Jesuíno fará companhia a ela, assim eles conversam um pouco - Iracema insistiu.

Ariana não queria deixar a avó sozinha com aqueles dois, porém a vó se intrometeu na conversa.

- Podem ir com a Iracema, sei me cuidar sozinha e quero aproveitar a companhia do Jesuíno. Sabe Deus quando ele voltará aqui novamente!

Sueli concordou em acompanhar a cunhada e levou as filhas, afinal seu irmão tinha o direito de ficar um pouco com a mãe.

As duas mulheres foram caminhando devagar, trocando algumas receitas, enquanto Ariana e a irmã se afastaram a passos largos. Para afugentar as lágrimas que insistiam em cair, quando pensava no avô, Ariana puxava assunto. 

- Elizandra, o que você achou dos noivos das primas? 

- Você acha que a vovó vai querer vender a casa?

- Será que a vovó vai morar na casa do tio Jesuíno?

As duas irmãs chegaram à praça e esperaram a mãe e a tia.

Enquanto isso, Jesuíno tentava convencer a mãe a vender a propriedade e ir embora com ele.

- Vai ser melhor para a senhora, mãe. Não precisará se preocupar com nada. Terá uma vida de rainha lá em casa.

- Meu filho, quero ficar aqui e cuidar das coisas que seu pai gostava. Ariana vai me fazer companhia.

- Mãe, ela tem seu trabalho na escola, a senhora já pensou nisso? E se a senhora concordar em vender esta propriedade poderá ajudar a Sueli a comprar uma casa. Ela não poderá viver na escola para sempre. 

- Isso é verdade, Jesuíno. Daqui uns anos Sueli não vai aguentar o batente, mas daí ela poderá vir morar aqui. Até lá as filhas estarão casadas.

- Se a senhora não quer se desfazer deste lugar, vamos somente ficar uns dias lá em casa.

- Bom, para ficar uns dias eu posso ir. Não quero dar trabalho para Ariana, ela é uma moça e precisa viver a vida dela. Só tem uma coisa, quem vai cuidar das galinhas?

- Se a senhora for com a gente, deixamos pra ir embora amanhã. A tarde vou conversar com seu Zé, seu vizinho mais próximo e pedir que ele venha cuidar dos bichos. Deixo dinheiro para a alimentação deles.

Tanto fez o Jesuíno que conseguiu convencer a mãe. Dona Josefa, chegou à conclusão de que talvez fosse bom passar um tempo longe dali. Ela precisava se acostumar a viver sem o seu "velho".

Quando as mulheres retornaram, encontraram dona Josefa arrumando sua mala. Jesuíno trocou um olhar com a esposa, como se dissesse - ponto para nós, vencemos a primeira batalha.

Iracema sabia que seu marido não desistiria de convencer a mãe a vender a propriedade. Muito em breve ele conquistaria seu objetivo.

Sueli e as filhas ficaram sem ação diante daquela notícia. Sabiam que nada do que falassem faria dona Josefa mudar de opinião. Jesuíno explicou que a mãe iria, apenas, passar uns dias para descansar. Ela precisava de novos ares.

Como havia prometido, Jesuíno procurou o vizinho e o pagou para cuidar dos animais. A noite, ligou para os irmãos e deu a notícia de que levaria a mãe com ele. Seus irmãos nem tiveram tempo de questioná-lo. 

Ariana se ofereceu para acompanhar a avó, mesmo sabendo que seria terrível retornar àquela casa. No entanto dona Josefa estava irredutível.  Sua nora e as filhas lhe fariam companhia de ali em diante por algum tempo.

Jesuíno conseguirá, mais uma vez, o que almeja? Os irmãos tentarão atrapalhar seus planos?

Continua...

Seguem os links dos capítulos anteriores para quem se interessar em acompanhar a história:








Muito obrigada pela visita, seu comentário é muito importante para mim!


Abraços,
Cidália.













domingo, 16 de julho de 2017

Vida às avessas VI (despedida)



Numa manhã chuvosa de outono, Sueli acordou as filhas com uma notícia triste. O avô querido das crianças tinha falecido. No velório, os tios que acolheram Ariana no passado apareceram, depois de tanto tempo sem visitar os pais. 

Aquele não era o momento para guardar ressentimentos. Sueli e Ariana trataram Jesuíno e a família educadamente.

- Meu irmão - disse dona Sueli - quero que saiba que sou muito grata a você e sua esposa por cuidarem da minha filha quando precisei de ajuda. Deus lhes pague. 

- Sentimos muito a sua falta, Ariana - disse a tia - principalmente da sua comida. Nesse momento, Jesuíno deu uma cotovelada na esposa e ela corrigiu. - quero dizer, sinto falta da sua companhia.

Mãe e filha se entreolharam e não responderam. Repararam que as gêmeas, filhas do casal, estavam acompanhadas por dois belos rapazes. Depois das apresentações souberam que elas estavam noivas de dois irmãos. Os rapazes tinham a diferença de três anos, um do outro, e eram de família rica.

Na hora de se despedir do avô, Ariana deixou as lágrimas, que haviam ficado presas durante muito tempo, rolarem abundantemente pelo rosto. Ela prometera a si, ainda quando menina, ao ter que render-se às humilhações na casa dos tios, que seria o último choro. Cumprira a promessa durante o tempo em que ficara com aquela família. Engolira o choro muitas vezes. Não precisava reprimi-lo agora.

Naquele momento de dor chorava pelo avô que não veria mais e não por ela. Isolou-se. Precisava ficar sozinha por algum tempo, por menor que fosse. Não queria o olhar de falsidade dos tios sobre ela. Nem pretendia chamar a atenção de alguém. Queria o silêncio como companhia. Queria pensar no avô, lembrar dos seus abraços e do seu cheiro.

Em meio à tristeza ninguém reparou nos olhares trocados pelo Jesuíno e sua esposa. Quando ele soube da morte do pai, comentou com a esposa que pretendia convencer os irmãos a venderem a casa dos pais. Assim cada um ficaria com uma parte do dinheiro. Ele levaria a mãe para sua casa, assim poderia cuidar da parte do dinheiro que caberia a ela.

- Ótima ideia, meu bem! Só que a sua mãe vai ficar no quartinho que era ocupado pela Ariana. Assim que as meninas casarem o quarto delas será transformado num quarto de hóspedes. 

- Não se preocupe querida, com o dinheiro que vamos pegar quero fazer uma reforma na casa. 

Assim que voltaram do funeral a família se reuniu na casa da matriarca e Jesuíno chamou os irmãos para uma conversa. Os netos levaram a avó para o quarto, ela precisava descansar.

As gêmeas, filhas do Jesuíno, voltaram para casa acompanhadas pelos respectivos noivos.

- O que vocês acham de vendermos esta casa? Posso levar a mamãe para morar comigo - disse o Jesuíno.

- Precisamos perguntar a opinião dela - falou Sueli - mas tenho certeza que ela vai preferir continuar morando aqui.

- Eu também penso que é a mamãe quem vai decidir o que fará de agora em diante - afirmou o Jurandir.

- Este não é o momento de decisões e vamos respeitar o luto - Jaime desabafou.

Iracema defendeu o marido:

- Jesuíno está preocupado com a mãe, ela não poderá ficar aqui sozinha.

Sueli olhou firme para o Jesuíno e sua esposa e falou:

- Vocês dois ficaram tanto tempo sem visitar o papai e a mamãe e agora estão preocupados? Ariana vai ficar aqui com ela e nos finais de semana eu e Elizandra viremos pra cá. Cuidaremos bem dela.

Diante daqueles argumentos, Iracema e Jesuíno se calaram, porém não esqueceriam o assunto.  Eles não pretendiam desistir sem tentar mais uma vez. Jesuíno precisava convencer sua mãe de qualquer jeito a morar com ele e sua família. Conversaria com ela a sós antes de ir embora. Tentaria fazer a cabeça dela. Precisava reconquistar a sua confiança. 

Jurandir, Jaime e Sueli perceberam o interesse do irmão. Ele só estava pensando no dinheiro e não no bem estar da mãe. O que ele e a esposa queriam era o controle da situação. 

Betina, esposa do Jurandir e Lourdes, esposa do Jaime, preferiram ficar neutras. As duas foram para a cozinha para fazer o jantar. Seria uma noite triste para a família, mas precisavam se alimentar.

O dia seguinte amanheceu ensolarado e Ariana que havia dormido com a avó, a levou para dar uma volta no quintal. As duas caminharam lentamente durante horas, e vez por outra a vovó se abaixava para tirar uma erva daninha de alguma planta.

Após o almoço os tios, Jaime e Jurandir e suas famílias iriam embora. José Carlos também acompanhou de volta o tio Jurandir. Só voltaria quando tivesse uma folga na escola.

Jesuíno e sua esposa deixaram para viajar no outro dia. Sueli não seria empecilho para a conversa dele com a mãe.

O que esses dois estavam tramando? Convencerão a vovó a fazer o que eles querem?

Aguarde o próximo capítulo!

Grata pela visita, abraços!!

Cidália.

Seguem os links dos capítulos anteriores para quem se interessar pela história.



PS: Autor do desenho, Marcos Wagner.









domingo, 9 de julho de 2017

Vida às avessas V (a surpresa)



No capítulo anterior (http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/vida-as-avessas-iv-…), dona Sueli pediu a atenção de todos:

- Estou muito feliz por ter a minha família de volta. Agradeço a vocês, meus irmãos, por terem cuidado dos meus filhos durante esse tempo. Assim que for possível quero agradecer pessoalmente o Jesuíno, também. Sei que meu pai agradeceu a ele, mas quem lhe deve o favor sou eu. Aos senhores, meus pais, só posso dizer que me ajudaram muito me acolhendo em sua casa. De agora em diante vou poder manter meus filhos comigo. Consegui um trabalho de zeladora numa escola aqui perto e vamos morar lá. 

Enquanto falava, dona Sueli direcionou seu olhar aos filhos e disse:

-Vocês poderão estudar lá meus filhos. E nos horários de folga me ajudarão.

A alegria foi geral. A família aplaudiu dona Sueli. Ariana perguntou se era na mesma escola onde eles haviam estudado antes de irem morar com os tios. A mãe respondeu que não. Era uma outra escola, maior.

Ariana não teve coragem de contar para a família que seus tios nem chegaram a comentar sobre a escola. Ela via suas primas saírem uniformizadas logo após o almoço e voltarem a tardinha. Sabia que elas tomavam o ônibus escolar, porque ouvira comentários. A escola ficava há cinco quilômetros de onde moravam. Seus tios não conversavam com ela, mas conversavam perto dela.  A casa dos tios era num bairro afastado. O bairro era novo e haviam poucos habitantes. Nem dava para ver a casa do vizinho mais próximo. Como ela não saía de casa, não via ninguém além dos parentes.

Por conta disso, Ariana ficou atrasada nos estudos. Teria que se esforçar para acompanhar seus irmãos. Na hora certa contaria à mãe. Não naquele momento de alegria, de felicidade para sua mãe e para todos.

Afinal a família estava reunida, mesmo que não tivessem uma casa para morar. Talvez, um dia, sua mãe conseguisse alugar uma casa para eles. O que importava, no momento, era que morando na escola não pagariam nenhuma conta e sua mãe ainda teria um salário.

No final daquele dia, Ariana ouviu um dos seus tios comentar com seu avô, enquanto fumavam na varanda, sobre o tio Jesuíno.

- Pai, a esposa do Jesuíno é uma mulher ruim. O senhor não vê que faz muito tempo que ele não aparece por aqui e nem dá notícias? E nem convida a gente para ir à casa dele. Não sei como ele ficou com a sobrinha durante esse tempo.

- Meu filho, não quero que fale nada perto da sua irmã e nem da sua avó. Pode comentar com seu irmão na volta, se quiser. O Jesuíno ficou com a minha neta, mas dispensou a empregada. A mulher dele, aquela minha nora desnaturada, colocou a menina para dar conta de todo o serviço da casa. Não a mandaram para a escola.

- A mana precisa saber disso meu pai.

- Já pensei nisso e quero contar antes dela se mudar, mas as crianças não precisam saber e nem sua avó. Ela não vai aguentar saber que seu tio foi dominado por aquela mulher. E vai sentir remorso por não ter ficado com a neta aqui em casa. Se dependesse dela as crianças teriam ficado aqui junto com a mãe. Mas, você vê como a casa é pequena, não tem espaço suficiente e o que ganho mal dá para sobrevivermos.

Ouvindo aquela conversa, Ariana pensou que, quando pudesse, queria ajudar seus avós. A casa era pequena, na noite passada ela dormiu com a mãe e nessa noite os irmãos também dormiriam no quarto, em colchões no chão. Seus tios, um dormiria no sofá e o outro no chão da sala.

Na segunda-feira de manhã, Ariana, os irmãos e a mãe foram para a escola. Levaram os poucos pertences que possuíam. Quem tinha mais coisas eram os irmãos, José Carlos e Elizandra que ganharam roupas e brinquedos dos tios. Tudo novo. Nada usado como ela tinha ganhado da tia e primas.

Na escola foram bem recebidos pela diretora, que explicou as tarefas que sua mãe precisava fazer. Ela e os irmãos ajudariam, após as aulas, na limpeza das salas de aula.

O que importava era que a família ficaria unida. Como estava acostumada com o trabalho, Ariana ajudaria a mãe nas tarefas maiores e deixaria para os irmãos mais novos, as mais simples, como varrer as salas e limpar as carteiras.

O anexo onde iriam morar era confortável, tinha dois quartos. As três mulheres ficariam juntas e o irmão ficaria sozinho num quarto menor. A sala, a cozinha e o banheiro tinham um bom tamanho. 

Para José Carlos e Elizandra tudo parecia maravilhoso. Logo se enturmaram. Ele no último ano do ensino regular e Elizandra no sexto ano. Fizeram muitos amigos.

Ariana parara no sétimo ano e como não pretendia abandonar a mãe para estudar, caso terminasse o último ano, seria melhor não frequentar a turma do irmão. Na verdade, sentiria vergonha por causa da idade. Ela sabia que era bobeira, porém não ouviu os apelos da mãe.

Era melhor ajudar com o trabalho e deixar apenas o serviço mais leve para os irmãos. Queria que eles tivessem mais tempo para o estudo. Confessou à mãe que seu tio não a colocara na escola. Não teve coragem de contar que ocupara o lugar da empregada, porém, pela reação dela desconfiara que seu avô já havia contado.

A escola era grande e sua mãe não daria conta de lavar todos os banheiros e demais dependências. No total eram poucos funcionários para cuidarem da limpeza. E seus irmãos não dariam conta do serviço.

Como Ariana sabia cozinhar bem, teve a ideia de fazer marmita para os professores. Assim teria o seu dinheiro. Ela queria comprar linhas e lãs para tricotar. Seria uma maneira para aumentar a renda da família.

Sueli estava orgulhosa da filha que se mostrara uma moça trabalhadeira. Não demonstrava cansaço. Era seu braço direito. Era elogiada por todos na escola, funcionários e professores.

No ano seguinte, José Carlos voltou para a casa do tio para continuar os estudos. Seu tio tinha uma boa situação financeira e o colocaria num colégio particular para fazer um curso técnico. Sua mãe queria o melhor para ele e para as meninas e aceitou de bom agrado a ajuda do irmão.

Elizandra gostava de bordar e costurar mais do que estudar. A máquina velha de costura da mãe era utilizada por ela nas horas livres. A mãe lhe ensinou a fazer vestidos e pijamas.

Ao completar dezoito anos, Ariana começou a ser chamada para substituir as professoras do ensino básico, como leiga. Sentia-se realizada ao ver que mesmo sem ter concluído os estudos era capaz de alfabetizar uma criança.

Sueli passava os finais de semana na casa de seus pais com as filhas. Nos feriados José Carlos se juntava à família. Seus tios e primos o acompanhavam. A casa pequena era aconchegante, apesar do pouco conforto. Os colchões eram espalhados pelo chão da sala.

Numa manhã chuvosa de outono, Sueli acordou as filhas com uma notícia triste. Despejou as palavras sem rodeios. Ariana abriu os olhos esperando que tudo não passasse de um pesadelo.


Você gostou da surpresa revelada pela mãe da Ariana no início deste texto?

Continua.

Não deixe de ler os outros capítulos acessando os links abaixo:

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Obrigada pela visita!
                                    Abraços,
                                          Cidália.




PS: Ilustração feita pelo meu sobrinho Marcos Wagner.






























domingo, 2 de julho de 2017

Vida às avessas IV (o reencontro)


A alegria invadiu o coração daquela mãe, ao abrir a porta e se deparar com aquela linda moça a sua frente. Em três anos de separação a menina desengonçada dera lugar a uma bela garota.

Mãe e filha se abraçaram por longos minutos, até que ouviram a voz do avô:

- Estamos com fome, guardaram a nossa janta?

Dona Sueli, agarrada à filha levou-a para a cozinha. Seu Joaquim as acompanhou.

- Cadê a minha velha? Não ficou me esperando?

- Papai, ela estava muito cansada e foi se deitar. Jantou mais cedo - disse Sueli.

- Quero ver a vovó, estou com saudades dela.

- Vamos jantar primeiro, depois vamos ver se ela está acordada, minha filha.

Ariana sentindo o aconchego da mãe, não queria mais nada. Aquele abraço carinhoso era suficiente para alimentar sua alma. Não queria desgrudar dela.

- Não se preocupe, minha filha, não vamos mais nos separar. Amanhã, quando seus irmãos chegarem contarei a novidade.

Aquelas palavras proferidas, com doçura, pela mãe que ela tanto amava deu-lhe um grande conforto. 

Sentaram- se e fizeram uma oração antes de jantarem. Mãe e filha tinham muito o que agradecer.

Após o jantar, Ariana seguiu o avô até o quarto para ver se a avó estava acordada. Jogou-se sobre ela quando a viu, sorridente, abrir os braços para recebê-la. Ficaram algum tempo abraçadas até que Sueli veio buscá-la.

- Hoje você vai dormir comigo, minha filha. Quero matar a saudade. Tomei a liberdade de ver suas coisas e não vi um pijama decente na sua trouxa. Tome banho e vista um pijama meu. É simples, feito de flanela, mas fui eu quem fiz.

Naquela noite, Ariana não queria falar mais nada. Queria apenas desfrutar da companhia da mãe. No dia seguinte teria que dividi-la com os irmãos. Não que fosse egoísta, mas precisava sentir o calor da sua querida mãe.

No dia seguinte, todos acordaram felizes. Ariana levantou cantarolando e foi para a cozinha fazer o café. Seus avós ajudaram a arrumar a mesa, enquanto a mãe se arrumava para esperar os outros filhos.

Um pouco antes do almoço. José Carlos e Elizandra chegaram, acompanhados pelos tios. Como moravam na mesma cidade, Jurandir e Jaime combinaram de viajar num carro só. Eles moravam há duas horas e meia dali. Como era um sábado, os dois irmãos dormiriam ali e voltariam no domingo.

A família reunida foi motivo de festa. Os avós prepararam um grande almoço. Com direito a sobremesa e tudo. A avó já havia matado dois frangos na véspera. Fez macarrão caseiro, a sua especialidade. A sobremesa era a preferida das crianças, pudim de leite.

José Carlos e Elizandra estavam muito bem vestidos. Pareciam filhos de gente rica. Os tios que os acolheram não eram ricos, mas ganhavam o suficiente para manter um bom padrão de vida.

Ariana descobriu através dos irmãos que eles visitaram a mãe algumas vezes durante aqueles três anos.

Ela abraçou os irmãos e quis saber o que eles tinham feito durante àqueles anos em que ficaram separados.  Os três tinham muito o que conversar e a mãe deixou-os a vontade. O almoço poderia esperar.

- O tio sempre foi muito legal comigo - falou o José Carlos - todo domingo ele me levava, junto com meus primos, para jogar bola num clube.

- Meus tios compraram roupas e sapatos novos para mim - comentou Elizandra - ganhei vários presentes de Natal.

- Durante a semana eu ia para a escola com meus primos - completou José Carlos.

- Eu também ia para a escola com meus primos - Elizandra disse eufórica – e você, Ariana, também estava indo à escola?

Por um momento, Ariana ficou sem saber o que responder. Não queria mentir, mas também não queria reclamar dos tios para seus irmãos. Talvez, um outro dia, contasse para sua mãe. Então, ela respondeu com outra pergunta.

- Como vocês moravam na mesma cidade, frequentavam a mesma escola?

- Eu ia numa escola particular com meus primos - José Carlos falou.

- E eu com meus primos estávamos numa escola municipal - disse Elizandra.

Que sorte tiveram seus irmãos, pensou Ariana. Foram acolhidos pelos tios bonzinhos. Se eles tivessem ido para onde ela foi não teriam aguentado.

Nisso, a mãe chamou-os para o almoço. Todos já estavam em volta da mesa.  Os três irmãos lavaram as mãos e sentaram-se.

Dona Sueli, levantou e pediu a atenção de todos.

Qual a surpresa que dona Sueli tem para revelar aos filhos?

Continua...

A você que está acompanhando a história, a minha gratidão! Espero que esteja gostando!!


Abraços,
Cidália.


PS: Desenho feito pelo meu sobrinho Marcos Wagner.