sexta-feira, 17 de março de 2017

Crime perfeito (interação)





Sei que prometi que publicaria o último capítulo desta história (Crime perfeito), no próximo domingo, dia 19.

Mas, de repente, tive a ideia de fazer um post diferente. Ficarei off na semana que vem, pois viajarei amanhã numa excursão. Postarei futuramente as fotos da viagem.

Peço desculpas pelo atraso nas respostas dos comentários, em breve colocarei tudo em dia.

Muitos leitores acompanharam a história do escritor Cassiano que se transformou num vil assassino. Ele matou sem querer a esposa, mas o que fez em seguida foi desumano. Esquartejou seu corpo e o jogou no rio, dentro de uma mala. O ciúme não era motivo para um crime bárbaro.

Em seguida, matou seus sogros, os pais da atual esposa. Mexeu no carro do casal provocando assim um acidente no trânsito. A troco do quê uma maldade como essa?

Como se bastasse, ao descobrir que a faxineira que trabalhara na sua casa estava bisbilhotando sua vida, tirou-a do caminho, matando-a sem piedade. Nada justifica a morte desnecessária de uma mulher trabalhadeira, mãe de família.

E o que fez com seu agente, que o considerava um amigo foi mais cruel ainda. Esfaqueou-o e enterrou o corpo na casa da sua esposa. Quem precisa de inimigo com um "amigo" como esse Cassiano?

Até onde vai a maldade desse homem? Ele se vingará da Suzana, sua mulher, por tê-lo abandonado no navio durante um cruzeiro? Ou ele a ama de verdade e não terá coragem para lhe fazer mal?

A polícia descobrirá seu esconderijo? Qual a pena que ele merece? Se você fosse um juiz, qual seria o veredito? A única prova contra ele é o corpo do Josias enterrado no quintal da casa da Suzana, a esposa do escritor. Quanto aos outros crimes, não há provas, apenas suspeitas. Ele precisa confessar a sua culpa.

Gostaria de saber a opinião de cada leitor para saber se alguma coincide com o final que escrevi.

Sua participação é importante para mim! Até mais!!
Obrigada pelo apoio e incentivo!!


Abraços,
Cidália.


domingo, 12 de março de 2017

14- Crime perfeito (incertezas)




Quanto a morte da faxineira, a suspeita havia sido suicídio. Nada podia ligar o Cassiano àquela morte. Apenas o fato dele ter viajado na ocasião e ficado uns dias fora. A não ser que depois do caso reaberto, durante a investigação, encontrassem uma testemunha que o vira na cidade. Ou descobrissem através da locadora de automóveis para onde o escritor tinha viajado. 

O fato do Josias ter ido se encontrar com um amigo não queria dizer que o amigo fosse o Cassiano. Havia outras possibilidades. Nenhum corpo fora encontrado, ele poderia ter conhecido alguém pela internet e marcado um encontro às escuras. O depoimento do escritor seria esclarecedor ao apresentar a data que vira ou conversara com seu agente pela última vez.

O delegado não via a hora de solucionar aqueles casos para poder pensar na aposentadoria. O detetive designado para encontrar o escritor estava no seu encalço. Viajou para o sul do país e com a ajuda da polícia local começou a procura do meliante pela fazenda da Suzana. Era um bom esconderijo. A essa altura, supôs o detetive, o escritor devia saber que estavam procurando por ele.

A notícia estava na internet e em vários jornais. Apesar do nome dele não ter sido citado como suspeito, se ele era culpado, certamente pensaria em fugir.
A casa da fazenda estava trancada e não havia nenhum sinal de vida por ali. Até as plantas da varanda estavam secas. 

O segundo endereço passado pela Suzana era a casa da cidade. O detetive se informou com a vizinhança e ficou sabendo que o escritor esteve na casa por dois dias, depois sumiu. Como o detetive estava com a cópia da chave da Suzana, entrou para procurar alguma pista do seu paradeiro. Saindo para o quintal dos fundos, observou uma pequena elevação de terra sob um vaso. O instinto fez com que ele pegasse uma pá que estava  num canto da casa e verificasse aquele monte. Tirou o vaso e arregaçou as mangas. 

De repente, a pá tocou em algo. Não era terra. Parecia cabelo. O detetive ligou para a polícia local e pediu ajuda. Suas pernas estavam trêmulas. Mesmo acostumado a lidar com todo tipo de crime, quando se deparava com algo daquele tipo, ficava horrorizado.

Assim que chegou o reforço policial o buraco foi totalmente aberto. O buraco não era tão profundo, um corpo de homem jazia, sentado, com seus pertences. Pelos documentos o corpo foi facilmente identificado. 

As providências foram tomadas, a remoção do corpo, o encaminhamento para o IML. O detetive ligou para o delegado e o colocou a par de tudo. A busca pelo escritor tornou-se prioridade. O corpo do Josias, ali, naquela casa era a prova de que precisavam. 

O Cassiano jamais imaginou, talvez, que a Suzana se voltaria contra ele. Sequer pensou que um dia ela desconfiaria dele. Ao enterrar o corpo naquele quintal ele assinou a sua sentença. 

O delegado entrou em contato com a Suzana para lhe dar a notícia.
- D. Suzana preciso que a senhora compareça aqui imediatamente. 
- O senhor tem alguma novidade?
- Sim, quero que saiba por mim, antes que a notícia se espalhe.
- Já estou de saída, até daqui a pouco!

Dona Nair ficou curiosa, ao atender o telefone e largou o que estava fazendo para acompanhar a Suzana.

Ao chegarem à delegacia foram encaminhadas à sala do delegado.
- Sentem-se senhoras, a notícia que tenho não é boa e interessa a ambas.
- Estamos curiosas, senhor. - Suzana falou pelas duas.
- Infelizmente, dona Nair, a sua procura pelo seu hóspede chegou ao fim. O corpo dele foi encontrado no quintal da sua casa da cidade, dona Suzana.

Aquela notícia pegou as duas de surpresa e elas se olharam ao mesmo tempo que se davam as mãos. O olhar de d. Nair era uma mistura de espanto e tristeza, enquanto o olhar da Suzana era de pavor. Ela não podia acreditar que o homem que estivera ao seu lado por algum tempo, que a acariciara tantas vezes, tivesse matado uma pessoa. Quem era o verdadeiro Cassiano? Um vil assassino? Uma pessoa má, sem coração? Alguém capaz de matar seu agente, um amigo?

As duas saíram dali abraçadas. Apesar do pouco tempo que se conheciam, aquele momento as uniu fazendo com que uma amparasse a outra. A tristeza e a dor eram os elos da união.

- Moça, a d. Nair gostava de chamá-la assim - você não pode voltar para lá antes que a polícia o encontre.
- E se ele descobrir que estou aqui? 
- Não vou deixar que você saia sozinha por aí. 
- A senhora está pensando o mesmo que eu? Se ele foi capaz de matar o amigo, pode ter matado e esquartejado a primeira mulher.
- Ai, meu Deus! Só falta ele ter matado a Rosa, também. Coitada!
- Será que ele matou mais alguém que não sabemos? - dúvidas surgiram na cabeça da Suzana.
- Por que ele mataria a Rosa? O que ela fez pra ele? - d. Nair não sabia mais o que pensar.
- O dono da banca me contou que ela ficou preocupada quando viu uma foto do Cassiano comigo numa revista. Ela não teve mais notícia da ex patroa, deve ter ficado curiosa.

Chegando na pensão, dona Nair providenciou um chá de cidreira para as duas. Precisavam digerir aquela notícia tenebrosa. O choro entalado na garganta, cada uma por um motivo. Para Nair, era o fim de um relacionamento que prometia um belo futuro. Para Suzana, era o fim de um sonho. O sonho de ter encontrado o homem ideal, o amor  verdadeiro.

A notícia sobre o corpo do Josias saiu na internet com todos os detalhes. Cassiano, hospedado na pousada, leu a notícia e descobriu onde a Suzana estava. Ficou sabendo que foi ela quem deu a cópia da chave para que o detetive revistasse a casa. Que a polícia estava no seu encalço, qualquer deslize e ele seria pego.

O escritor fechou a conta, pediu um táxi e ao sair da pousada colocou o óculos de grau, falso. Ele usava lentes por causa das miopia. Ao descer na rodoviária, colocou a batina e um boné discreto.

Comprou uma passagem para São Paulo. De lá pegaria o ônibus para o interior. Agora já sabia onde a Suzana estava.  Durante a longa viagem pensaria no que faria.  Pensou até em brincar de gato e rato com a polícia. A brincadeira seria divertida. 



Até onde vai a insolência do Cassiano?  Será que nada o deterá de suas perversidades?
A história, enfim, está chegando na reta final!! No próximo domingo publicarei o último capítulo. Aguardem!!

Sua visita me deixa muito feliz! Obrigada a todos pelo apoio!!
Beijos,
Cidália.

Quem quiser acompanhar a história desde o início segue os links na ordem:







domingo, 5 de março de 2017

13- Crime perfeito (conjecturas)




Na pensão da Nair, o segundo dia foi cheio de novidades para Suzana. Ela ouviu no café da manhã, uma conversa do casal que estava hospedado lá. A conversa era sobre o hóspede que desaparecera na noite do do réveillon. Ficou de boca aberta ao descobrir que o tal homem era o agente do seu marido. E quase teve um colapso ao ficar sabendo que ele tinha ido se encontrar com um amigo no sul do país. 

Atenta à conversa que passou a ter a participação das outras hóspedes, descobriu que esse amigo provavelmente era o escritor. Enquanto levava a xícara aos lábios, ela procurava lembrar daquela noite. 

Lembrou que estava pronta para sair. Eles iriam jantar fora, quando ela reclamou que estava com dor de cabeça. Então, Cassiano  preparou um chá e lhe deu com um analgésico. Ela acordou no dia seguinte com ele ao seu lado. 

Não lembrava de quantas horas dormiu. Será que nesse meio tempo ele saiu para se encontrar com o agente? O comprimido que ele lhe dera era um sonífero? Não estava entendendo nada. Qual o motivo do Cassiano se encontrar com o Josias sem falar com ela? 

Pensou na conversa que tivera, no dia anterior, com o dono da banca de revistas, sobre a faxineira. Qual a relação da morte dela com o sumiço do agente? 

Após o café, Suzana saiu. Precisava conversar com o delegado. Se apresentou como jornalista, e ao ser cobrada a credencial, ela disse que deixara, na pensão, numa outra bolsa.

Como todos os habitantes daquela cidade que já fora pacata, o delegado era um homem muito simpático e atencioso. Recebeu Suzana e foi minucioso ao detalhar os casos que estava investigando.

Ela saiu dali atordoada com as coisas que ouviu. 

Quem cometeria um crime bárbaro com uma mulher e jogaria o corpo num rio? E essa faxineira que se matara? Havia trabalhado na casa do escritor. E o agente do seu marido que estava desaparecido? O Cassiano não devia estar sabendo. Aliás, fazia tempo que ele não falava no seu agente e nos eventos da Editora.

Segundo o delegado, em breve sairia o resultado do exame da arcada dentária e, então, saberiam quem era aquela mulher encontrada, destroçada, dentro da mala.

Suzana sentou-se num banco da praça e ficou pensando em tudo que ouvira. Lembrou que na ocasião da morte da faxineira, Cassiano tinha viajado. Ela não lembrava para onde, só que ele ficara uns dias fora. Ele não usou o carro dela, preferiu alugar um. Sentiu um frio na espinha! 

De repente, quis saber se o escritor estava procurando por ela. Qual a sua reação ao se dar conta de que ela fora embora? Onde ele estava agora? Na fazenda ou na cidade? Num impulso levantou, foi até um orelhão e fez um interurbano a cobrar para sua casa da cidade. A chamada caiu. 

Ela teria que voltar para casa e enfrentá -lo. Contaria sobre seus sonhos se fosse necessário. Ele teria que falar sobre seu passado para ela, sobre sua ex mulher e sobre seus projetos. Ficaria mais uns dias até que saísse o resultado do exame que identificaria o corpo daquela pobre mulher.

No dia em que o resultado saiu, a pequena cidade ficou em polvorosa. A dona do corpo esquartejado era a ex mulher do seu marido. A tal Belinda. Mais um motivo para o investigador encontrar o escritor o mais rápido possível. Suzana teria que se identificar e contar sobre o cruzeiro e os nomes falsos. Cassiano poderia estar muito longe.

Segundo o Josias, o escritor tinha viajado com a Belinda para Veneza, só que quando ela o conheceu, ele estava sozinho e dissera que estava solteiro.

O medo fez Suzana estremecer e pensar no seu pai. Ele não gostou do escritor quando o conheceu. O amor pode cegar uma mulher? Como ela poderia ter se enganado tanto assim em relação ao companheiro? E se a Belinda tivesse sido vítima de um psicopata?

E se o psicopata fosse o Cassiano? Se ela voltasse para casa e ele estivesse esperando para se vingar por tê-lo abandonado? Não queria terminar a vida dentro de uma mala. 

Pediu para usar o telefone da pensão e ligou para o delegado. Precisava conversar com ele novamente. Marcou um horário para o dia seguinte. Naquela noite chamou a Nair no quarto e contou quem era.

- Peço que a senhora me escute e me perdoe antes de falar qualquer coisa. 
- Nossa, moça, o que está acontecendo?
- Amanhã cedo vou conversar com o delegado. Meu nome não é Ilana. Sou Suzana, a atual mulher do escritor Cassiano. 
- Ah? - dona Nair a olhou espantada.
- Eu e ele estávamos num cruzeiro, quando vi uma foto dele com a esposa numa revista antiga. Como tinha o endereço, resolvi desembarcar sozinha e vim para cá. Eu precisava saber um pouco sobre a sua vida. Ele desconversava quando eu perguntava sobre seu passado. Na foto o casal parecia feliz. Não agi por mal, estava procurando respostas. Posso ajudar o delegado contando o pouco que sei.

- Santo Deus! Será que o Josias foi se encontrar com ele naquela noite? 
- Não sei, o Josias era seu agente. Tinham assuntos em comum, alguns trabalhos pendentes, talvez.

As duas mulheres despediram-se depois de combinarem de irem juntas à delegacia no dia seguinte. Suzana passou a noite em claro e foi a primeira a levantar. Assim que entrou na cozinha, dona Nair apareceu bocejando. Sua noite, também, fora mal dormida. Após o café as duas saíram e foram se encontrar com o delegado.

Numa conversa informal, Suzana se apresentou como a atual esposa do Cassiano e justificou a sua pequena mentira na visita anterior. Ao saber que ele era suspeito no crime da mala e no desaparecimento do Josias, ela deu seu endereço. Contou sobre a fazenda e a casa da cidade. 

Suzana comentou sobre a viagem do seu companheiro na ocasião da morte da Rosa, a faxineira. Repetiu tudo o que havia contado à dona da pensão. Eram poucas informações, porém valiosas. O delegado entraria em contato com a polícia da cidade onde morava o casal, no sul do país.

Tanto a dona da pensão como o delegado, acharam melhor a Suzana continuar por ali onde ficaria protegida. Pelo menos até a polícia localizar o escritor e aqueles casos fossem esclarecidos. Ela acatou a sugestão, estava gostando daquele lugar, daquelas pessoas. 

O delegado sabia que até aquele momento não tinha nenhuma prova contra o Cassiano.  Eram apenas conjecturas. 

No caso do corpo dentro da mala, sabia-se que pertencia à ex mulher do escritor. Precisavam do depoimento dele para saber qual a última vez que ele falara com ela. A data em que os dois saíram da cidade, juntos, foi comprovada pelo frentista que o atendeu na manhã em que viajaram. Ele comentou que viu a Belinda cochilando no banco do carona.

Ainda bem que a Suzana estaria protegida, ali, com àquelas pessoas simples e bondosas. 
Os dias do cruel assassino estavam contados. Será? Faltavam provas, mas o delegado não descansaria enquanto não solucionasse aqueles casos.


Para àqueles que usam a plataforma whattpad, segue o link para acompanhar a história em sequência.

Para quem prefere acompanhar pelo blogger segue os links dos capítulos anteriores.


Sua opinião é sempre bem vinda! Obrigada!! Abraços! 

Cidália.





domingo, 26 de fevereiro de 2017

12- Crime perfeito (disfarce)



Cassiano voltou para a fazenda depois de esperar, em vão, que a Suzana retornasse ao navio. Como ele forneceu o nome falso dela, não foi encontrada nenhuma pista. Nenhuma Ilana Lins havia comprado uma passagem de avião naquele dia ou no dia seguinte. O melhor a fazer seria voltar para o Brasil.

Chegando em casa o silêncio o assustou. Como era tarde deixou para pensar no que fazer no dia seguinte. Tomou um pileque e foi dormir. Não queria ter pesadelos. Mas, não teve como escapar. Seu sono foi muito agitado e ele viu seus sogros  acusando-o.

- Em breve você será desmascarado. - a voz parecia nítida.

Na manhã seguinte ele despertou com a sensação de que tinha levado uma surra. Talvez a voz que ele pensou ouvir fosse a voz da sua consciência. Será? Será que depois de ter matado cinco pessoas, ele ainda tinha consciência? Ele tomou um banho, fez um café e pensou nas possibilidades.

O que tinha acontecido com a Suzana? Ela teria sido assaltada em Málaga? Ficara sem dinheiro, perdida na cidade, sem ter como voltar para o navio? Talvez ele devesse ter procurado mais por ela, antes de retornar. Não, ela teria dado um jeito, era muito esperta. Falava, fluentemente, algumas línguas.

Teria viajado usando seu nome verdadeiro? Provavelmente. Ele iria ligar no aeroporto de Málaga para saber se ela tinha embarcado e para onde. Esperava obter tal informação. Como estava sem telefone saiu para telefonar. Precisava ir até a casa da cidade; talvez encontrasse a Suzana por lá.

A casa estava cheirando a mofo pelo tempo que estava fechada. Cassiano foi ao quintal e viu que o vaso que estava sobre o lugar onde enterrara o Josias, estava com as flores murchas. Molhou as plantas e voltou para dar o telefonema.

Depois de algum tempo, esperando na linha pela verificação, ele ficou sabendo que a Suzana embarcara para São Paulo. O que ela foi fazer em São Paulo? Por que não voltou para casa? O que foi fazer lá? Procurar alguém? Quem? Será que ela estava fugindo dele por algum motivo? O pior que ele não fazia ideia de onde procurá-la. A cidade de São Paulo era muito grande.

Teria que esperar para ver se ela entrava em contato com ele. E como ambos estavam sem celular, se tivesse que ligar, ela ligaria naquele número. Na fazenda estavam sem telefone. Era melhor ficar por ali durante uns dias. No guarda roupa ficaram algumas peças de roupa e podia sair para comer. Nem se deu conta de que teria a companhia do Josias que jazia num buraco, no quintal dos fundos.

Cassiano passou a noite em claro, remoendo o paradeiro da Suzana. Até onde sabia, ela não conhecia ninguém que morava em São Paulo. Ela conhecera o Josias, mas ele já não pertencia mais a este mundo. Em que momento perdera o controle sobre sua nova esposa? Tudo estava correndo tão bem. De repente, nesse cruzeiro algo saíra errado e ele não sabia o que era.

De uma coisa o escritor tinha certeza, precisava encontrar a Suzana e descobrir o que estava acontecendo. Não pensaria duas vezes para tirá-la do caminho. Ela não sabia quem era ele, conhecia apenas o homem apaixonado.

No dia seguinte levantou cedo, abriu a casa para arejá-la e ligou a TV para ver o noticiário. Assistiu o jornal local e como não tinha nada interessante resolveu sair e ir até uma LAN house. Queria ler as notícias que estavam acontecendo no país.

Parou numa padaria para tomar café e comer um croassant. Andou uns 200 metros e pegou um táxi até a LAN house mais próxima. Assim que ligou o computador começou a ler as notícias relacionadas aos crimes ocorridos no estado de São Paulo. De repente seus olhos se depararam com a seguinte manchete.

"Mala é encontrada no rio de uma pequena cidade do interior, com o corpo de uma mulher"

Cassiano clicou sobre a manchete para ler detalhadamente a notícia. A pequena cidade do interior era onde havia morado e o corpo dentro da mala ele conhecia muito bem. Ele observou a primeira data em que a notícia tinha sido publicada. Será que a Suzana tomara conhecimento dessa notícia no navio? Como? Ela estava sempre ao seu lado. Durante os passeios terrestres? Alguma conversa que ela ouviu enquanto ele enchia a cara ou jogava? Ele sabia que as notícias corriam o mundo rapidinho. Entre os brasileiros que estavam no navio, talvez, alguns tivessem conhecimento do caso através da internet.

Tudo era possível.

Continuou vasculhando as notícias e leu sobre o desaparecimento do agente. Em letras garrafais, a manchete dizia:

"AGENTE LITERÁRIO DO ESCRITOR CASSIANO DESAPARECE NA NOITE DE RÉVEILLON, NO SUL DO PAÍS"

O que estava acontecendo? Ele precisava agir imediatamente, não poderia ficar esperando que viessem atrás dele. Sabia que não poderiam prendê-lo sem provas, mas não queria ser apontado como suspeito. Sua vida seria virada pelo avesso.

Cassiano sabia que o melhor a fazer seria sumir de vista. Poderia viajar usando os documentos falsos e tocar a vida despreocupado. Ninguém o encontraria. Ele ainda tinha um bom dinheiro que daria para viver tranquilo durante algum tempo.

Por outro lado sentia que precisava encontrar a Suzana. Ela não podia tê-lo abandonado sem nenhuma explicação. Ao sair do navio antes da viagem terminar e sozinho, ele se sentiu trapaceado. Tinham contas para ajustar.

Bom, depois de pensar muito, achou melhor aguardar mais uns dias para tomar uma decisão. Enquanto isso, saiu dali e foi comprar um notebook. Precisava tomar algumas providências. Não era viável continuar na casa da Suzana, se estavam investigando o desaparecimento do Josias, provavelmente, iriam procurá-lo nas duas casas, da cidade e da fazenda.

Parou numa farmácia e comprou tinta para pintar o cabelo. Já tinha tudo planejado. Ficaria numa pousada e quando tivesse mais algumas informações, sobre os casos investigados, pelo delegado da sua antiga cidade, um novo homem pegaria o ônibus para o interior. Levaria na bagagem poucas coisas, entre elas uma batina e uma Bíblia. A barba crescida, ajudaria no disfarce. O óculos de grau (falso) comprado de um camelô comporia o look. Pensou em providenciar um outro documento, arrumar um novo nome.

Comprou, dois celulares pré pagos. Pretendia ligar de vez em quando na casa da cidade, esperando que uma hora a Suzana atendesse. Tentaria, também, na casa da fazenda. Ela poderia reativar o telefone fixo, quem sabe!

Iria ficar "sumido" até a poeira baixar.

Hospedado na pousada com o nome falso, o escritor passava o tempo pesquisando as notícias. Descobriu que estavam atrás dele para saber sobre o agente. Ele era a última pessoa que tinha visto o Josias, segundo o delegado.

Quanto ao crime da mala, estavam aguardando o resultado do exame da arcada dentária para saber a quem pertencia àquele corpo.

Estava na hora dele colocar seu plano em prática.


Até quando Cassiano vai conseguir se esconder?

Será que Suzana descobrirá alguma coisa sobre o passado do seu marido?

Para àqueles que gostam de ler pela plataforma Whattpad, colocarei esta história lá, em sequência.

No próximo domingo deixarei o link aqui no blog.

Sejam bem vindos, espero que tenham apreciado a leitura!

Obrigada pelo apoio!
Abraços,
Cidália.

PS: Segue os links dos capítulos anteriores.

1- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/11/crime-perfeito.h…

2- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-reco…

3- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-pesa…

4- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-novo…

5- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-duvi…

6-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-pedr…

7- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-mala…


8-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-sem-…


9- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-desc…


10-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-peri…


11-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-info…





domingo, 19 de fevereiro de 2017

11- Crime perfeito (informações)


Suzana andou mais dois quarteirões e chegou à pensão indicada pelo dono da banca de revistas. A tarde estava chegando ao fim. Ao tocar a campainha foi atendida pela própria dona.

- Pois não? - D. Nair olhou dos pés à cabeça aquela moça, ali, parada a sua frente.
- Estou precisando de um quarto.

- Tenho um quarto vago, pode entrar. Quantos dias pretende ficar? - D. Nair fez a pergunta olhando para a pequena bolsa de viagem na mão da Suzana.

- Não sei ainda, talvez uns três ou quatro dias. - Suzana respondeu, enquanto apresentava o R.G. e pegava a ficha para preencher.

D. Nair, levou-a para o quarto onde o Josias havia ficado. Abriu a porta e apontou o banheiro.

- É uma suíte. Fique à vontade. O jantar será servido a partir das dezenove horas. No momento só tenho seis hóspedes com você.
- Obrigada. - Suzana agradeceu e fechou a porta assim que dona Nair saiu.

Em seguida, foi tomar um banho e se arrumar para o jantar. Estava faminta. 
Durante o jantar, Suzana conheceu os outros hóspedes. Um casal e quatro mulheres de meia idade. Ela teve uma boa impressão de todos. 

No dia seguinte, após o café da manhã, Suzana perguntou se a dona da pensão conhecera o escritor que morara ali, naquela cidade, por dez anos.

- Pra ser sincera, moça, nunca vi esse homem. Ele não saía de casa. Segundo os boatos ele era anti social. Eles moravam numa casa bem afastada, sem vizinhos próximos e era a mulher que fazia as compras e resolvia as coisas quando necessário.
- Ouvi alguns comentários sobre ele, parece que já esteve no auge da fama.

- Por aqui pouca gente gosta de ler. A senhorita vai poder observar que têm poucos jovens, eles saem para estudar e trabalhar fora. Os moradores que continuam por aqui tem outros costumes. 

- Entendi. Nem todo mundo tem o hábito de ler e quem sabe aqueles que gostam preferem outros gêneros diferentes do gênero escrito por ele.
- Eu até gosto de ler, mas não tenho muito tempo livre. 

- Vou dar uma volta pela cidade, não precisa me esperar para o almoço. 
- A senhorita é quem sabe. Vai visitar alguém? - dona Nair estava ficando curiosa. 

- Quero conhecer a casa onde o escritor morou por tanto tempo.
Na revista que ela carregava na bolsa tinha uma foto da casa e o endereço. Era uma casa bonita, num lugar onde a natureza ainda era preservada.

- A casa está a venda. Tive um hóspede que foi visitá-la, estava interessado pela casa. Infelizmente, na última noite do ano passado ele foi se encontrar com um amigo e não voltou mais.

- Que pena! Eu não pretendo comprá-la, só quero conhecê-la mesmo.
- Por acaso a senhorita é jornalista?

- Não. É pura curiosidade. - a Suzana já estava ficando cheia com a dona da pensão. 

- Em todo caso o almoço será servido até às quatorze horas, se mudar de ideia.
- Obrigada, até mais.

Suzana saiu, andando tranquilamente, pela pequena cidade. Seguiu na direção do endereço antigo do seu marido. Cumprimentou as poucas pessoas que encontrou pelo caminho. Chegando em frente à casa, olhou e viu a placa de vende-se. Era uma casa simples, porém muito bonita. Imaginou o Cassiano lá dentro criando seus enredos.

Depois de alguns minutos deu a volta e seguiu em direção ao centro. Parou na banca de revistas.
- Bom dia, meu senhor! Cá estou novamente!
- Bom dia, a senhorita não gostou da pensão?

- Gostei e agradeço a recomendação. Hoje só estou querendo conversar.
- O que está achando desta cidade? Bem diferente de onde a moça veio, imagino.

- Nem fale, onde moro não consigo andar a pé como estou fazendo aqui.
- A moça veio fazer o que pra esta banda se mal lhe pergunto?

- Vim conhecer a cidade onde o escritor Cassiano morou por muito tempo. - respondeu a Suzana, esperando a próxima pergunta.

- Ele morou dez anos nesta cidadezinha e nunca passou aqui na minha banca. A esposa dele que vinha uma vez por semana comprar jornal e revistas. Por falar em revista acabei de lembrar que a Rosa viu uma foto do seu Cassiano com outra mulher numa revista e ficou preocupada.

- Preocupada? Por quê? Devia ser alguma fã. Ele é um escritor famoso.

- Ela ficou preocupada porque ele tinha sido patrão dela e quando foi embora disse que tinha se separado da mulher. Que talvez fosse embora pra fora do Brasil. Só que a Rosa nunca viu nenhuma briga entre os dois e achou estranha essa separação. E não demorou muito pra ele arranjar outra mulher. A dona Belinda ter ido embora sem se despedir dela foi muito triste para a Rosa. 

- Onde mora essa Rosa? Gostaria de conversar com ela.
- Ih, moça, a coitada morreu naquela mesma semana que comprou a revista. Falaram que ela se matou, mas eu não acredito.

- O senhor pode me dizer quando isso aconteceu exatamente?

- Por que tanto interesse, moça? Não lembro a data, mas o delegado está investigando alguns casos que aconteceram, se quiser conversar com ele, vai saber dos detalhes.

- Pelo que o senhor está falando a cidade não é tão tranquila como pensei. Por acaso, o senhor ainda tem alguma daquelas revistas com a foto do escritor com a outra mulher?

- Tenho sim, guardei uma de recordação. Espere um pouco. - ao pegar a revista que estava entre uma pilha de jornal, debaixo da prateleira, o comerciante olhou para a Suzana e arregalou os olhos - A mulher que está com ele é muito parecida com a senhorita!

- Realmente - falou a Suzana olhando a foto - mas não sou eu. A mentira saiu da sua boca sem que ela pensasse. 

Suzana sem mais argumentos se despediu e ficou de voltar outro dia. Disse que estava faminta e iria almoçar. O dono da banca balançou a cabeça afirmativamente e seguiu-a com os olhos até que ela desapareceu da sua vista.

- Que parece, parece! - resmungou.

No navio, Cassiano resolveu cancelar a viagem e voltar para casa. Precisava saber se a Suzana estava na fazenda e o que tinha acontecido. Pensou que, talvez, ela tivesse se cansado de vê-lo sempre bêbado e dera o fora. O dinheiro que ele tinha, muito dele ganhado nas apostas, havia sumido. Sobrara o suficiente para ele voltar para casa.

Quanto tempo a Suzana tinha para descobrir alguma coisa sobre o escritor? O que ele faria quando descobrisse que ela não estava em casa? 

PS: Caríssimos leitores, devem estar se perguntando, quando essa história chegará ao fim? Calma, as coisas estão começando a se complicar para o protagonista.

Os links dos capítulos anteriores encontram-se aqui para quem quiser ficar por dentro da trama.

1- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/11/crime-perfeito.h…

2- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-reco…

3- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-pesa…

4- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-novo…


6-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-pedr…

7- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-mala…


8-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-sem-…


9- http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-desc…


10-http://contosdacabana.blogspot.com.br/…/crime-perfeito-peri…

Sua visita é sempre bem vida, obrigada!


 Uma semana abençoada a todos!!
 Beijos,
Cidália.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

10- Crime perfeito (perigo?)



Naquela pequena cidade do interior, onde tudo era tranquilo, onde as pessoas se cumprimentavam ao se encontrar na rua ou em filas de Bancos, os burburinhos aumentaram. Pior ainda, foi o medo que se instalou naquele povoado. Ninguém queria ser a próxima vítima do assassino da mala.

O delegado estava de mãos atadas. De um lado o sumiço do Josias que todos os dias era lembrado pela dona da pensão. Ela não lhe dava sossego. Do outro, aquele corpo misterioso que surgiu, de repente, das profundezas das águas. Se não fosse a estiagem aquela mala estaria no fundo do rio. E para completar, o dono da banca de revistas questionou sobre o suicídio da faxineira.

Várias testemunhas apareceram para dizer que a Rosa não estava deprimida. A morte dela era estranha. O dono da banca contou sobre a revista com a matéria sobre o lançamento do livro do Cassiano, que ela havia comprado. Afirmou que ela ficara com uma expressão de curiosidade ao ver a foto do escritor abraçado com outra mulher.

Era muita coisa acontecendo, ao mesmo tempo, para a cabeça de um homem que pensava, apenas, na aposentadoria que estava próxima. Lidar com a cobrança do povo estava sendo difícil e ele teve que pedir ajuda. Será que havia ligação entre os casos? A dúvida brotou e se instalou na sua mente.

Um investigador ficou encarregado de pesquisar sobre a vida do Cassiano, o escritor que morou ali, naquela cidade por dez anos e era um homem recluso. Foi patrão da Rosa e ela o viu pela última vez, quando ele foi embora, de acordo com as informações. Quem sabe ele pudesse falar alguma coisa sobre a faxineira, que poderia ajudá-lo na investigação.

Provavelmente, o Josias teria ido se encontrar com o escritor no réveillon, pois não descobriram outro amigo ou parente dele que morasse no sul do país. Mas, e aquele corpo destrinchado dentro da mala? O que tinha a ver com a morte da faxineira e o sumiço do agente?

De uma coisa o delegado tinha certeza, uma hora a verdade apareceria. E se aqueles casos fossem solucionados enquanto ele estava na ativa, melhor ainda! Ele poderia curtir sua aposentadoria com a sensação do dever cumprido.
Os restos mortais encontrados dentro da mala pertenceram a uma mulher. Desde que a notícia se espalhou as mulheres ficaram aterrorizadas. Será que havia um maníaco por ali e em breve esquartejaria outra?

No navio, certa noite, Suzana teve um sonho estranho, uma moça parecida com aquela da revista, abraçada com o Cassiano, dissera a ela que tomasse cuidado. O perigo estava muito próximo. Ela acordara sobressaltada com os olhos fixos no marido.
- O que está acontecendo? - perguntara a si em silêncio.

Esse mesmo sonho se repetiu por três noites seguidas, sendo que no terceiro sonho viu seus pais implorando que se afastassem daquele homem. Aqueles sonhos ficaram martelando na sua mente e ela fez o possível para que seu marido não notasse que ela estava preocupada com alguma coisa.

Suzana tomou uma decisão. Na próxima parada para visitarem a cidade, ela daria um jeito para ir sozinha. Começou a arquitetar um plano mentalmente. Pensou em todos os detalhes. Na reportagem havia o nome da cidade onde o Cassiano morou com a Belinda. Ela precisava falar com alguém que tivesse convivido com ele.

Na véspera do navio atracar no porto de Málaga, na Espanha, ela passou a noite com ele na sala de jogos. Incentivou-o a beber até o ponto em que ele ficou bêbado e sem condições de continuar jogando.

Ao levá-lo para a cabine foi pensando no tempo em que estavam a bordo. Eles haviam embarcado em Santos há mais de uma mês. Tinham viajado de avião até São Paulo e tomado um táxi até o porto. Com tantas atividades de lazer e atrações no navio, para Cassiano só interessava o salão de jogos.

No dia seguinte, ela saiu bem cedo, com todo o dinheiro que conseguiu pegar do marido.  Levou só os documentos e deixou um bilhete ao lado da cama, sobre o criado mudo.

"Querido, vou fazer umas compras na cidade e visitar os pontos turísticos. Não precisa ficar preocupado por eu sair sem você. Sei me virar sozinha. No final do dia estarei de volta e poderemos passar a noite bem juntinhos, vendo um filme.
Beijos carinhosos,
Su."

Suzana saiu dali com os demais passageiros e assim que chegou no centro comercial, pegou um táxi e foi para o aeroporto. Usando seus documentos verdadeiros pegou um voo com destino a São Paulo. Teve sorte em conseguir uma passagem. Passaria a noite num hotel e no dia seguinte pegaria um ônibus para o interior. Ela pretendia passar uns dias na cidade onde o Cassiano morara por muitos anos.

Pensou no marido e na reação dele ao perceber, no final do dia, que ela não retornara do passeio com os outros passageiros. Provavelmente, pensaria que ela tinha se perdido. Procuraria o guia para obter informações sobre o paradeiro dela. O que ele faria? Desistiria da viagem e ficaria em Málaga até ter notícias dela? Ele iria procurá-la pelo nome falso? Tinha esperança que sim.

Mas, se ele usasse o verdadeiro em algum momento, ela já estaria longe. E ele poderia pensar que ela voltara para casa, na fazenda. Jamais passaria pela cabeça dele que ela iria para o interior atrás de informações sobre o seu passado.

Num hotel simples, indicado pelo taxista, Suzana passou a noite. No dia seguinte, saiu pela manhã, comprou algumas mudas de roupa e uma bolsa de viagem. Foi para a rodoviária e pegou o ônibus para o interior. Observando a paisagem por onde passava, refletia sobre o seu envolvimento com o escritor. Ela que se orgulhava de ser uma mulher independente, uma profissional competente, responsável, num piscar de olhos tinha abandonado tudo por causa de um homem?

Seu relacionamento anterior não dera certo por causa das mentiras. Seu ex era um sedutor barato que não podia ver um rabo de saia como dizia sua mãe. Quando conheceu Cassiano achou que com ele poderia ser feliz. Será que se enganara mais uma vez?

Ao descer na rodoviária da pequena cidade saiu caminhando a procura de um hotel. Parou na banca de revista onde foi recebida com um sorriso.

-Boa tarde, a senhorita deseja comprar uma revista?
-Boa tarde, meu senhor! Estou procurando um hotel, tem algum nas proximidades?
- Olha, moça, não temos nenhum hotel de luxo por aqui, mas temos a pensão da Nair.

O que o Cassiano faria se soubesse que a Suzana estava ali na cidade onde ele havia cometido alguns crimes? Que ela iria se hospedar justamente na pensão onde a dona estava procurando o Josias, seu agente?


Devem estar se perguntando, quando esse vil criminoso será descoberto?
Calma! A Suzana já está desconfiada de alguma coisa. Quem sabe, em breve, ela descobre a verdade sobre o seu amado?

Continue acompanhando a história...


Obrigada pela visita!

Beijos,
Cidália.









domingo, 5 de fevereiro de 2017

09- Crime perfeito (desconfiança)


Suzana e Cassiano, usando os nomes falsos, fizeram algumas amizades durante a viagem. Reuniam-se na sala de jogos ou às refeições. Ali, as horas passavam, entre um drinque e outro. O casal nem parecia o mesmo de antes. Cassiano estava sempre com um copo na mão. Volta e meia ia dormir bêbado, coisa que para a Suzana era novidade. 

Ela passara a observá-lo com atenção. Desde que entraram naquele navio, o comportamento do escritor começou a ficar diferente. Aos poucos foi deixando-a de lado, sem pegar no seu pé como fazia antes. Na fazenda ele queria dominá-la, como se fosse seu dono e ali deixava-a livre. A presença dele na sala de jogos era constante e Suzana, após um mês, começou a sentir-se cansada. 

Aquela rotina deixara de ser atraente. Chegaram a participar de alguns passeios terrestres durante algumas paradas, porém, nada daquilo era o que havia imaginado. Quando ele comentou sobre a viagem esperava uma lua de mel com passeios românticos. No fundo era uma mulher sonhadora e por isso jogara tudo para o alto, inclusive seu trabalho. Queria viver um conto de fadas ao lado do homem que a faria feliz pelo resto da vida.

Não pensou duas vezes ao apostar no seus sonhos. Precisava sentir-se protegida como sua mãe fora pelo marido. Queria que seu companheiro fosse como seu pai, um homem à moda antiga. Chegou a sentir saudades dos dias que viveram em Milão. 

Os jogos tornaram-se viciantes para Cassiano. Os jogos e a bebida. Numa noite de sábado, o casal participou de um baile de gala. 
- Você sabia que eu queria vir ao baile, poderia ter bebido menos hoje. - dissera a Suzana.
- Pode ficar sozinha se quiser, prefiro voltar para a sala de jogos. - resmungou o Cassiano.
- Você passou a tarde enfiado naquela sala, querido. Agora eu gostaria de dançar com você.
- Não gosto de dançar, só aceitei vir ao baile para te fazer companhia.
- Bela companhia! É melhor voltarmos para a cabine. 
- Querida, o comandante está fazendo um sinal para nós, vamos ver o que ele quer.
- Por favor, seja educado com ele, Cassiano.
- Não ouse me chamar por esse nome perto de qualquer pessoa. Sou Joel, esqueceu Ilana?
- Não se preocupe, não pretendo ser acusada de falsidade ideológica.
- Melhor assim, para nós dois.

O comandante ao perceber que o Joel (Cassiano) estava bêbado, convidou o casal para sentar-se à sua mesa. Assim poderia controlar a situação, não queria confusão naquela noite. 

Os casais estavam dançando animadamente e a Suzana viu que seu marido estava quase dormindo, apesar da música alta. Pediu licença e se retiraram, já tinha passado vergonha demais. 

Ao colocar o marido na cama após tirar a sua roupa, ouviu-o chamá-la por outro nome, Belinda. Foi dormir pensando naquele nome. No meio da noite acordou com os gritos do Cassiano. Os pesadelos voltaram a perturbá-lo.
- Fique longe de mim, você está morta no fundo do rio.

No dia seguinte, Suzana levantou cedo e foi para o convés principal para aproveitar o silêncio da manhã. Olhar para o mar azul a tranquilizava. O nome, Belinda, e a frase dita pelo marido durante o sono, não saía da sua cabeça. Lembrou que o Cassiano não entrara em detalhes sobre seu passado. Dissera apenas que estava solteiro. Lembrou, também, a pergunta feita pelo Josias, se o Cassiano estava sozinho em Milão, porque ele tinha viajado com a mulher para fazerem as pazes.

Aquele pensamento tardio causou-lhe arrepios. Ela esquecera-se daquela conversa com o agente. Bom, na verdade não tinha sido uma conversa. Assim que ele fizera a pergunta ela fora afastada pelo Cassiano. Depois, acabou-se distraindo-se com outra coisa e esquecera aquela frase.

Assim que voltassem para casa ela daria um jeito de se comunicar com a editora para pedir o contato do agente. Precisava saber de mais detalhes sobre a tal Belinda. Não ia perguntar ao marido, pois se ele omitira o assunto, provavelmente, não lhe daria ouvidos, agora.

Continuou ali por mais algum tempo saboreando aquela paz e assim que começaram a aparecer as pessoas para curtirem a piscina, ela voltou à cabine. Ficou horas olhando para o escritor enquanto refletia sobre seu relacionamento com ele. Ela agira como uma adolescente sem juízo? Mal acabara de sair de um romance sem futuro e se iludira ao esbarrar naquele homem. Tudo acontecera tão rápido e ela deixou-se levar por uma paixão arrebatadora.

- Querida, bom dia! - Cassiano espreguiçou-se na cama. - O que aconteceu, perdeu o sono?
- Ah, oi, bom dia, meu amor! Resolvi fazer um passeio bem cedo para aproveitar o silêncio.
- Estou deixando-a de lado? Quando eu a mimava com o chazinho antes de dormir, você não saía sozinha. 
- Não se preocupe, estou bem. - Suzana não queria despertar suspeita. - Hoje vou acompanhá-lo à sala de jogos, Joel querido, rsrsrsrs.
- Ilana, meu amor, você é uma ótima companhia! 

Após o almoço os dois foram para a sala de jogos e enquanto o marido jogava com os outros homens, Suzana começou a folhear algumas revistas que estavam numa mesinha no canto do salão. Eram revistas antigas, mas serviam para passar o tempo. Na terceira revista que abriu viu uma foto do Cassiano com uma mulher. Assim como ela o reconheceu, outras pessoas poderiam reconhecê-lo. 

Leu os nomes e descobriu que era a tal Belinda. A reportagem falava sobre o fracasso de um dos livros do autor logo que ele se mudara para o interior. Dizia que a mulher era muito ciumenta e barraqueira e que ele perdera a inspiração.

Olhando para os lados Suzana guardou, disfarçadamente, a revista na sua bolsa. Imaginou que ninguém tivera a curiosidade de olhar aquelas revistas por serem tão antigas. Do contrário, alguém teria reconhecido o escritor. Se descobrissem que ambos estavam usando nomes falsos, seria terrível. Ela começou a ver uma revista de moda e horas depois, vendo que o marido estava bebendo muito e perdendo o jogo, ela levou-o embora dali. 

- Se você não me acompanhar, vou falar seu nome bem alto. - ela cochichou no seu ouvido.
- Minha esposa quer a minha companhia, mais tarde voltarei. - ele falou se dirigindo aos companheiros do jogo.

Ao chegarem à cabine, Cassiano caiu com roupa e tudo na cama. Suzana nem teve tempo de lhe mostrar a revista. Talvez fosse melhor assim. Ele estava sem condições de manter uma conversa. Suzana tentaria descobrir mais alguma coisa por conta própria. Poderia pagar para usar a internet do navio para fazer uma pesquisa, mas achou melhor esperar mais um pouco.  Teria que ser prudente. Não queria que o Cassiano pensasse que ela estava desconfiada. 

Procuraria aproveitar a viagem e os passeios que teriam pela frente.  Os problemas, se é que existiam, poderiam esperar. 

Se a Suzana sonhasse o tamanho do problema que a acompanhava na pessoa do seu marido! 


Segue os links para quem se interessar em ler os capítulos anteriores:


Agradeço a cada um de vocês pela visita!

Posso demorar um pouco para responder, mas respondo todos os comentários.

Beijão,

Cidália.