quinta-feira, 12 de março de 2026

Águas de março

 



O brilho dela se apagou,
assim como o sol que se retirou de cena,
quando as nuvens, pesadas e silenciosas,
tomaram conta do céu.

E a água começou a cair do céu,
primeiro tímida, quase sussurrando,
depois insistente, contínua,
como se o mundo inteiro chorasse em silêncio.

Ela vestiu-se de cinza.
Não apenas nas roupas,
mas também nos pensamentos
que pareciam mais pesados naquele dia.

Debruçou-se na janela, amuada,
com o olhar cabisbaixo, perdido na rua molhada,
sem vontade de sorrir,
como se a alegria tivesse ficado escondida
atrás das nuvens.

Enquanto as plantas agradeciam
pela chuva incessante,
erguendo suas folhas em gratidão,
bebendo cada gota como um presente da terra,
ela se incomodava com o barulho da água
batendo no telhado, nas janelas,
nos caminhos vazios.

Era um som constante,
como um lembrete
de que o sol havia partido.

Por mais que soubesse
da importância da chuva para o meio ambiente,
do alívio que ela trazia ao solo seco,
do frescor que devolvia à natureza,
seu coração ainda preferia
os dias iluminados.

Ela amava os dias ensolarados.

Para ela, o sol é sinônimo de vida,
de passos mais leves pelas ruas,
de risadas que surgem sem esforço,
de janelas abertas e cortinas dançando.

O sol era promessa,
era calor nos ombros,
era luz atravessando a casa
e pousando tranquila sobre o chão.

Na chuva, tudo parecia mais lento,
mais silencioso,
mais distante.

Mas, mesmo sem perceber,
em algum lugar por trás das nuvens
o sol ainda estava lá —
esperando o momento certo
de voltar a brilhar
também dentro dela. ☀️

 

 Obrigada pela visita,

Cidália. 


Tristeza




Quando a mente não colabora, o corpo acaba sofrendo. Essa é uma expressão antiga, repetida por gerações e carregada de sabedoria. Minha mãe já dizia isso com convicção, provavelmente porque também ouviu de seus pais e avós. São frases simples, mas que carregam uma verdade profunda sobre a vida humana. Ao longo do tempo, percebemos que muitas dessas palavras antigas não eram apenas conselhos, mas observações nascidas da experiência e da convivência com as dificuldades da vida.

Às vezes, uma pessoa enfrenta uma situação difícil — uma perda, uma doença, uma decepção ou uma sequência de acontecimentos que parecem tirar o chão debaixo de seus pés — e acaba perdendo o ânimo de viver. Aos poucos, o desânimo vai tomando espaço. O que antes era simples passa a parecer pesado, e aquilo que antes trazia alegria já não desperta o mesmo interesse. É como se a esperança fosse se apagando devagar.

Existem pessoas que, mesmo diante de grandes desafios, encontram forças para continuar. Agradecem a Deus por mais um dia, por poder abrir os olhos pela manhã, respirar fundo e tentar novamente. Elas entendem que cada dia é uma nova oportunidade, mesmo que as dificuldades ainda estejam presentes. Porém, outras acabam assumindo, muitas vezes sem perceber, o papel de vítimas das circunstâncias. Passam a acreditar que nada mais pode mudar e que qualquer esforço é inútil.

Com o passar do tempo, essa postura vai enfraquecendo não apenas o espírito, mas também o corpo. As forças diminuem, a energia desaparece, e o simples ato de levantar da cama pode se tornar um grande desafio. A pessoa vai se debilitando pouco a pouco, como se a falta de esperança fosse drenando sua vitalidade. A mente, quando dominada pela tristeza e pelo desânimo, influencia diretamente o corpo.

Cada ser humano, em alguma medida, é responsável pelas próprias escolhas e atitudes diante da vida. Nem sempre é fácil reagir, é verdade. Há momentos em que tudo parece pesado demais. Ainda assim, chega um ponto em que a decisão de lutar precisa nascer dentro da própria pessoa. Pouco pode ser feito quando alguém não decide, de alguma forma, ajudar a si mesmo.

Por isso, é tão importante buscar pequenas mudanças. Sair um pouco do isolamento, respirar o ar da manhã, tomar um pouco de sol, ouvir uma música, conversar com alguém, observar algo bonito na natureza. Redescobrir os pequenos encantos da vida pode parecer algo simples, mas muitas vezes é o primeiro passo para reacender a esperança. Permanecer o dia inteiro deitado, entre quatro paredes, apenas alimenta a tristeza e fortalece o sentimento de abandono.

Quem conheceu aquela pessoa antes — cheia de vida, de planos e de energia — e a vê agora sente uma profunda tristeza. É difícil aceitar essa transformação. Parece quase inacreditável perceber alguém tão abatido, sem brilho nos olhos, como se estivesse apenas esperando algo indefinido acontecer. Surge então uma mistura de preocupação, saudade e desejo sincero de vê-la bem novamente.

Os amigos e familiares tentam ajudar da forma que podem. Dão conselhos, oferecem palavras de incentivo, lembram momentos felizes, sugerem pequenas atividades. Mas, no fundo, todos sabem que a verdadeira mudança precisa vir de dentro. Ninguém pode viver a vida do outro, nem sentir por ele a vontade de continuar.

A família faz sua parte com dedicação e carinho. Cuida, acompanha, demonstra paciência. Oferece apoio nos momentos difíceis, administra os remédios nos horários certos, leva às consultas, acompanha os tratamentos e tenta manter o ambiente o mais acolhedor possível. Muitas vezes, faz tudo o que está ao seu alcance para ajudar.

Mas existe algo que ninguém pode fazer no lugar do outro: encontrar novamente o desejo de viver. A força de vontade precisa partir do próprio paciente. É ele quem precisa, pouco a pouco, permitir que a esperança volte a ocupar espaço em seu coração.

Reagir não significa ignorar a dor ou fingir que os problemas não existem. Significa reconhecer a dificuldade, mas decidir não se entregar totalmente a ela. É reencontrar, mesmo que aos poucos, o interesse pelas coisas que antes traziam alegria: uma conversa, uma caminhada, um hobby esquecido, um momento de fé ou de reflexão.

Para que qualquer tratamento realmente funcione — seja físico, emocional ou espiritual — é essencial que exista algo fundamental dentro da pessoa: a vontade de viver. É essa vontade que dá sentido aos cuidados, aos remédios, aos esforços e ao apoio de quem está por perto.

Porque, no fim das contas, quando a mente encontra novamente um motivo para seguir em frente, o corpo também começa a responder. E, mesmo que a recuperação seja lenta, cada pequeno passo já representa uma grande vitória.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Homem de fé

 

                                                     

Desde o primeiro diagnóstico ele não se abalou,
Manteve firme a sua fé,
Sempre positivo,
Esperançoso,
Agradecido.
Perdeu 90% de uma das orelhas.
Aceitou com tranquilidade.
Teve uma das pernas, operada.
Esperou pacientemente pela cicatrização.
Passou por vários procedimentos na bexiga.
Enfrentou a doença com dignidade,
Com muita fé e positividade.
- Chegou àquele que enverga, mas não quebra. - era a frase que ele ouvia na sala da quimioterapia.
Ele viu pacientes chorando, passando mal.
Nunca demonstrou fraqueza.
Ele sofreu algumas vezes em que ficou internado, porém jamais reclamou.
- Ninguém vai antes da hora e quando a hora chegar não adianta ter medo. - ele sempre disse isso.
E acreditando na sua fé inabalável ele seguiu por três anos.
Entre consultas, internações, quimioterapias e exames.
Cuidar do jardim é a sua maior alegria.
Cuidando das plantas, admirando as flores, podando, regando, ele mantém a mente distraída.
Um homem de muita fé.
A força dentro dele é muito grande.
Ele diz que não chora, que é uma pessoa fria.
Só quem o conhece sabe que ele é emotivo.
Quando a médica olhou o exame e disse que não tinha mais a doença, ele ficou agradecido.
- Não vou precisar fazer a químio?
-Não, o senhor pode soltar os fogos. De agora em diante, somente o acompanhamento a cada três meses.
Ele agradeceu a médica e foi agradecer à equipe.
Ele saiu dali muito feliz.
Ao chegar em casa ligou para as irmãs,
Começou a fazer planos.
Em instantes toda a família estava sabendo,
Emoção e alegria. 

-Uau!! Que ótima notícia! 

-Senhor, só agradecer pela esperança que tivemos e a força de vontade que esse grande homem teve e passou durante todo esse tempo. O que sempre digo: tudo podemos quando acreditamos em nós e em Deus. Obrigada Deus!!


-Que maravilha, Jesus abençoe sempre vcs com muita luz, onde a fé haverá sempre a cura, gratidão sempre, amo vcs p🙏🏻❤️


-Meu Deus, tia, não imagina a alegria que estou recebendo essa notícia, uhullll graças a Deus 😍😍😍🙏🏻🙏🏻

-Graças a Deus comadre, Deus abençoe sempre vcs🥰🙌

-Tia, foi a melhor notícia de todas 🥳🥳🥳🥳🥳, que bênção!

-Estou muito feliz com a notícia!  

-Deus é nosso pai maior ele protege seus filhos , tô muito feliz.

-Que bênção tia, Deus é maravilhoso estou muito feliz por vcs 🙏🏻❤️
 

-Tia que notícia maravilhosa!!! Como Deus é bom, fiquei emocionada ❤️
 

-Graças a Deus 🙏🙏 que deu tudo certo.

-Só temos a agradecer pelo dom da vida, da esperança, do acreditar em nós mesmos. Acreditar num Deus vivo que nos ampara nos piores momentos. Gratidão! 🙏🏻 

Todos que receberam a notícia ficaram muito felizes. Familiares e amigos que estavam rezando pela recuperação dele. No domingo ao chegar à igreja e contar para algumas pessoas ele recebeu abraços e felicitações. 

Como é bom conhecer pessoas que se alegram com o bem estar dos outros!


"Você não é uma gota no oceano, você é o oceano inteiro dentro de uma gota".



 

Muito obrigada pela visita,

Cidália.

 











quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A alegria está no ar




Confetes,

Serpentinas,
Fantasias,
Máscaras,
A alegria estampada nos rostos,
Crianças sentadas no chão.
Adultos fotografando e filmando cada momento,
A banda começa a cantar,
As marchinhas de antigamente.
Marchinhas criadas pelos componentes...
A música contagia,
Pais e crianças dançam acompanhando o ritmo carnavalesco.
Num canto do salão ele se requebra,
Dança com alegria,
Canta junto com a banda,
O sorriso estampado no rosto.
Ele se diverte sem se preocupar com os demais.
Ele canta junto com a banda,
A empolgação toma conta dele,
Ele sai do canto e vai para o meio do salão.
Alalaô...
Ele acompanha a coreografia de cada música.
Me dá um dinheiro aí...
Ele não está nem aí para as pessoas que estão a sua volta.
O que ele quer é se divertir.
Os olhos atentos daquela que gosta de observar as pessoas se demoram naquele dançarino, um homem comum.
Ela também dança, acompanhando o ritmo de cada música, com a sua neta e sua nora.
Mamãe eu quero, mamãe eu quero...
Chega a hora da banda encerrar o show,
Fotos são tiradas.
Crianças e pais catam os confetes do chão e jogam para cima.
A alegria está no ar,
O dançarino, alguém que ia passando e viu o movimento de adultos e crianças...
Alguém que resolveu se juntar aos foliões para curtir àquela tarde.
Ele esbanja felicidade,
É carnaval. 


                      Obrigada pela visita, 

                                  Cidália


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Descuido?





Falta de atenção?

Descuido?
Dica de alguém?
Quem?
O que leva uma pessoa a usar por anos a fio um produto no rosto, mas especificamente para limpar a pele, um produto que é um desodorante? 
Está descrito na embalagem!
Se a pessoa não comentasse sobre o uso com sobrinhas que entendem sobre produtos de beleza, de cuidados com a pele, ainda estaria utilizando o produto.
Este texto serve para algumas mulheres que assim como a tal, tenha sido desatenta ao longo dos anos. Desatenta com a própria pele.
A única vez que ela usou o produto como desodorante teve alergia nas axilas.
Ela sempre o comprou com o intuito de limpar o rosto antes de dormir.
A pergunta que ela se faz é:
- Por que nunca observou que estava escrito a palavra desodorante na embalagem?
Numa excursão com as amigas, uma delas mostrou que usava o produto dentro de uma embalagem spray, de outro desodorante, para facilitar o uso.
E mesmo depois desse dia ela continuou usando-o para limpeza da pele.
Por sorte nada de ruim aconteceu com a pele do seu rosto.
Nunca é tarde para novos aprendizados.
Vivendo e aprendendo.
Atenção redobrada sempre!
Quem nunca fez algo desse tipo?
Quem nunca usou um produto sem ler as recomendações?
Quem nunca pensou que estivesse fazendo o certo e descobriu que estava errado?
Ela foi à farmácia comprar um gel de limpeza para o rosto e, comentando com a atendente sobre o assunto ficou sabendo que outras mulheres usavam o produto para o mesmo fim.
Ainda bem que não era só ela a desatenta.
Mais uma vez a pergunta que não quer calar:
-Quem o usou pela primeira vez e deu a dica às demais mulheres?

Sinta-se a vontade para deixar a sua opinião, obrigada.


Cidália.



quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Despedida

 









Mulher faceira, vaidosa.

Esposa companheira,
Mãe exemplar,
costureira de mão cheia.
Professora dedicada,
Dona de casa competente,
uma amiga engraçada,
uma pessoa com muitos predicados.
Um certo dia a sua mente titubeou,
Ali, naquele dia, sua vida começou a mudar.
Aos poucos foi perdendo a sua independência.
Deixou-se levar...
Por anos ainda interagia com as amigas que a visitavam sempre.
Elas tinham histórias em comum,
relembravam fatos, riam, confraternizavam,
Três amigas sempre presentes,
outras que participaram uma ou mais vezes dos encontros.
Amigas que se tornaram colegas de trabalho.
Cada uma tinha uma lembrança da época em que trabalharam juntas.
Um pouco antes da pandemia ela teve um AVC.
As amigas precisaram ficar em casa,
foi um período estranho.
O contato entre as pessoas teve que ser cauteloso.
Ela, provavelmente, sentiu-se abandonada.
Quando as coisas voltaram ao normal, as visitas das amigas retornaram.
Sua voz já não era a mesma,
ela falava baixo, às vezes lembrava o nome delas, outras vezes, lembrava o nome de uma ou duas.
Seu corpo foi perdendo as forças.
Ela contava com o cuidado dos filhos e da nora.
Em cada aniversário, mesmo com a voz sussurrante ela dizia que viveria até os noventa anos.
Bravamente ela aguentou firme até o último dia do ano de 2025.
Ficou mais de uma semana na UTI e na manhã do dia nove de janeiro ela se foi.
Seu sofrimento chegou ao fim.
As amigas guardam e guardarão para sempre a imagem da mulher faceira, alegre e divertida.

Venina partiu numa manhã ensolarada, quando o céu ficou azulado e o vento sussurrou o seu nome. Ela deixou naqueles que a amavam o eco das risadas que espalhava.

Nos dias que seguiram, a casa ficou silenciosa, mas a presença dela permanecia em cada cômodo como se ela ainda estivesse ali. Seus familiares e amigos entenderam que ela não havia realmente ido, mas havia se transformado em luz para guiar os seus passos.

 

Obrigada pela visita,

Cidália. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Fim de ano

 


Um ano acelerado.

Para muitos a calmaria.

Para outros a correria.

Dias muito quentes, outros chuvosos.

Dias bons, outros nem tanto.

Para elas, aposentadas, a rotina diária.

Porém, sempre encontram um tempo para regar a amizade,

Seja num almoço ou num chá da tarde.

Momentos esticados.

O papo é bom, o riso contagiante.

As guloseimas tentadoras.

Patê de azeitonas pretas, torradas, salgadinhos, pão de queijo, torta fria, torta de frango, bolos e panetones.

Uma oração de agradecimento.

Agradecimento pela amizade, pela saúde, pelo encontro.

Os ponteiros do relógio não param.

Elas gostariam que o tempo parasse entre conversas e risos.

Piadas bobas, histórias desencavadas, amigas lembradas.

- Por onde anda fulana?

Uma fofoquinha sem maldades.

Dois tempos para o chá.

Uma pausa para as fotos (antes que o batom saia).

Risos e mais risos.

Qual a melhor pose?

Um drink feito com carinho e capricho por uma delas.

Um brinde para comemorar o momento.

Os parabéns para as aniversariantes do mês.

A anfitriã, uma senhora de oitenta e cinco anos, alegre, divertida, agradecida.

A promessa de novos encontros.

Uma noite do pijama? Risos!

Um almoço ou uma pizza,

Não importa.

O que importa é que basta querer para fazer acontecer.

Num domingo a tarde ou num dia que seja melhor para todas. Encontros que fazem bem, que tornam a vida mais leve e divertida.  Outro dia vi uma postagem que dizia assim: 

Tire fotos...

Nós não tiramos fotos apenas para lembrar como as coisas eram, tiramos para guardar como elas nos fizeram sentir. 

As risadas que nos sacudiram, os rostos que achávamos que nunca esqueceríamos, os momentos que escaparam rápidos demais. 

Um dia você vai perceber que não eram apenas fotos. 

Eram a prova de tudo que importava, das pessoas que cruzaram seu caminho, dos instantes que mereciam ser lembrados.

 

 

Feliz Natal e um próspero 2026!!
 
Cidália.