quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Amizade sincera



Era uma vez, num passado bem distante, numa rua de terra batida, duas meninas, a tia e a sobrinha que se davam muito bem. A tia era um ano e oito meses mais velha e eram grandes companheiras nas brincadeiras. Pareciam duas irmãs, inseparáveis. Quando não estavam brincando, com as outras crianças da vizinhança, brincavam sozinhas. 
Tempo bom, da família reunida na cozinha de fogão à lenha, nas noites frias de inverno! Ouvir músicas cantadas e tocadas pelo casal de irmãos e histórias do avô eram os melhores passatempos. Tudo era motivo de alegria. 
A brincadeira favorita das duas, Lia e Mara, era brincar de casinha. Certo dia, elas resolveram fazer o batizado de uma boneca que era a "filha" da Mara. Aprontaram tudo no quintal e realizaram o batismo como se fosse real. Levaram tão a sério que começaram a se tratar como comadres. Como a palavra comadre era grande, para aquelas duas menininhas, tiraram a primeira sílaba da palavra. Desde então, era “madre” Lia para lá e “madre” Mara para cá.
Como era bom ser criança, brincar sem culpa de estar errando, sentindo a felicidade do momento vivido!
Tudo corria às mil maravilhas, até o dia em que a boneca morreu. Sim, a pobrezinha da boneca, "filha" da Mara, fechou os olhos para sempre e as comadres quiseram fazer o enterro. Lia pegou uma foice, uma ferramenta, que não sabem como, os pais deixaram ao alcance delas. Um grande descuido, pois, ao usar a foice para cavar o buraco onde enterrariam a boneca, Lia quase decepou um dedo da sua madre Mara.
Para sorte delas, Mara foi socorrida pelo pai que acabara de chegar do trabalho. Depois de medicada, curativo feito, continuou a brincar. Nada as abalava, nem mesmo a quase perda de um dedo.
Quando a madrinha da Lia pediu para ela escolher, entre um par de brincos e uma boneca, ela não pensou duas vezes. Escolheu a boneca, pois, seu pai não tinha condições de comprar brinquedos.
Naquela época, a imaginação corria solta, uma árvore se transformava num prédio e cada galho era um apartamento. As brincadeiras de roda, na rua, reuniam a criançada, as moças e até mesmo a mãe da Mara, irmã da Lia, que era uma jovem senhora.
Eram tantas brincadeiras, jogo de pedrinhas, telefone sem fio, gosta desse, pular corda, entre outras. E os banhos no rio, como eram bons!
Não faltavam, também, as peças de teatro que encenavam na área da casa, com direito a pipoca e tudo; fora os parques e circos que apareciam sempre na pequena cidade.
A amizade entre as duas era feita de muita cumplicidade, amor e momentos inesquecíveis. Uma era confidente da outra. Quando Lia começou a paquerar, Mara segurava vela.
Frequentavam os bailinhos de garagem, carnaval, onde improvisavam as fantasias e iam juntas à escola. Sempre unidas! Gostavam de andar na garupa da bicicleta com os amigos da rua e os primos.
Mas, um dia, Mara começou a namorar, ficou noiva e acabou engravidando. Deu a luz a uma menina linda! 
Tornou-se mãe, muito jovem, e como num passe de mágica estava vivendo a brincadeira de casinha na vida real. Momentos de alegria que só a maternidade poderia oferecer. Sua vida tomou um novo rumo.
Lia namorava e depois de algum tempo se casou. Como o destino das duas já estava traçado, ela e o marido batizaram a filha da Mara. 
Um dia especial na vida de ambas, pois além do laço de sangue que as unia, se tornaram comadres como nos tempos de criança. Felicidade completa!  
A amizade entre elas sempre foi de muita simplicidade, no jeito carinhoso de se respeitarem. Um amor sincero que só deu bons exemplos. 
Ainda hoje, quando se encontram é só alegria, risos e mais risos. Vivem uma história de amor, brincadeiras e emoções fortes. Fazem tudo valer a pena.


Colaboração de L.T.A.


18 comentários:

  1. Estou apaixonada por essa historia de uma grande amizade pura e verdadeira ,adorei .

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    1. Obrigada, nada melhor do que uma amizade assim, onde predominam o amor e a alegria. Beijos, Cleuza!

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  2. Brincadeira de criança, como é bom, como é bom! Cidália, parabéns por esta linda história, viajei nas minhas lembranças de infância. Continue assim e chegará ao topo!! Amei! Beijos e obrigada por me proporcionar momento de voltar no tempo.

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    1. Tânia, é realmente muito bom poder voltar no tempo e relembrar os bons momentos! Principalmente, a infância tão repleta de inocência e de brincadeiras, hoje, desconhecidas pela maioria das crianças. Obrigada, beijos!

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  3. Na simplicidade da escritora reside o encanto de seus contos.

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    1. Obrigada, querida! Fico feliz em saber que está gostando dos meus contos. Bjs!

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  4. Hoje em dia é tão difícil de ter uma amizade tão puro, sincero e lindo desde a infância. Realmente as duas tem muita história para contar!!
    Adorei a história.

    Bjs

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    1. Pois é, e uma amizade verdadeira é para a vida toda.
      Super obrigada!
      Beijos

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  5. Amo seus contos. Sempre me levam a reflexões.

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  6. Fico pensando como será daqui em diante sabe? Se agora já é difícil ter amizades verdadeiras com o tempo vai piorar? Será que quando eu tiver filhos eles não vão ter aquele amigo que cresceram juntos? Me pego pensando nisso as vezes. Ci, arrasou mais uma vez, adoro vir aqui no final do dia para ler um conto novo. Beijão

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    1. Nem fale, mas vamos torcer que não piore! Tomara que quando você tiver seus filhos, eles possam ter amigos verdadeiros.
      Obrigada, Dani, beijão!

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  7. Amizades assim são o que fazem da vida mais bonita cheias de historias. Beijão

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    1. Verdade, Luma! A amizade é um sentimento puro e verdadeiro. Quem tem um amigo, tem um irmão!
      Obrigada, beijos.

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  8. Adoro contos e os seus são cheios de vida. Beijos!

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  9. Adorei o conto Cidalia, mostra tanta inocência. Uma amizade verdadeira, simples, sem interesse. Como é difícil hoje em dia isso.

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    1. Obrigada, Mari! Sim, uma amizade com muitas histórias para contar. Pura e duradoura!
      Beijos.

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