Ela sai sem passar, sequer, um batom,
o cabelo preso às pressas,
a bolsa a tiracolo balançando no compasso dos passos.
Ao seu lado seguem a nora e a neta,
numa manhã comum que, sem aviso,
se transforma em memória.
A vaidade tirou folga,
ficou esquecida sobre a penteadeira.
Hoje não há espelhos que importem,
nem compromissos mais urgentes
do que o brilho dos olhos pequenos
que a chamam para brincar.
O dia é todo da neta.
Tem dancinhas na sala,
risadas que ecoam pelos cantos da casa,
personagens coloridos na hora do desenho,
mãos puxando as suas
para mais uma aventura inventada.
E ela vai, inteira,
entregando tempo, carinho e presença,
colecionando instantes que não voltam,
mas permanecem vivos no coração.
Entre uma brincadeira e outra,
surgem fotos espontâneas,
dessas que dispensam poses e filtros,
porque a felicidade verdadeira
não precisa de ensaio.
Nas imagens, talvez nem perceba
o cabelo desalinhado ou a roupa simples.
O que ficará registrado será muito maior:
o amor sereno de uma avó,
a alegria de uma neta,
e a beleza rara dos dias comuns
que, sem fazer alarde,
se tornam eternos.
Obrigada pela visita,
Cidália

Que lindo! Me identifiquei demais! Eu era exatamente assim com minha neta, que agora já é adolescente...
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