Lá vão elas, em passos serenos,
como quem conhece o valor do tempo
e sabe que a pressa jamais combina
com os encontros da alma.
Elas vão aguardar a carona.
Outra já está à espera delas na entrada do mercado,
e logo são cinco.
Entre corredores do supermercado,
escolhem mais que pães e bolos.
Escolhem memórias.
Pão de queijo, bolo de roda,
bolo de cenoura, biscoitos amanteigados,
torradas, manteiga e geleia...
Pequenos sabores
que alimentam muito mais que o corpo.
No caixa, a surpresa:
o carrinho ficou para trás.
E, entre risos saem à procura dele,
Como tantas vezes na vida,
encontram o que parecia perdido.
A conta é paga.
O destino agora é a casa
onde uma amiga querida espera
com alegria no coração.
A mesa é arrumada:
Pães de minuto,
rosquinhas de polvilho e queijo,
capuccino perfumando a tarde,
chás aquecendo as mãos
e conversas aquecendo a alma.
As fotografias congelam sorrisos,
mas não conseguem captar
a leveza dos abraços,
nem a música dos risos
que enchem a casa de vida.
Uma delas parte mais cedo,
levando consigo o carinho daquele encontro.
Antes, porém, mais algumas fotos,
porque certos instantes
merecem permanecer para sempre.
Depois vem o bingo.
Três vencedoras...
Mas, no coração da anfitriã,
não havia espaço para que alguém saísse sem um presente.
E até o prêmio de consolação
tornou-se prova de afeto.
A noite, silenciosa,
anuncia a hora da despedida.
Cada uma sai dali,
levando nas mãos algumas guloseimas
e no peito um tesouro bem maior.
Então, com os olhos cheios de gratidão,
a anfitriã quebra o silêncio e diz:
"Vocês não sabem o bem que me fazem."
Talvez elas nem soubessem.
Mas era exatamente isso
que colecionavam naquele dia:
Não apenas fotografias,
nem bolos, nem chá, nem brindes...
Colecionavam momentos.
E momentos vividos com amor
são as lembranças mais bonitas
que o coração pode guardar.
Grata pela visita,
Cidália.

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