(foto copiada da internet)
A última quarta-feira de julho amanheceu com um céu tão azul que parecia prometer um dia inteiro de tranquilidade. Ela aproveitou a manhã como tantas outras: foi à feira, passou no mercado, voltou para casa, tomou um banho e escolheu a roupa para um compromisso que aguardava havia dias. Era dia de encontrar as amigas.
Mas julho tem seus caprichos. Bastou o relógio avançar um pouco para o vento ganhar força, o sol desaparecer atrás das nuvens e o sanhaço, pontual como um velho conhecido, anunciar a chuva com seu canto. Ela pegou um agasalho. Sempre vale a pena ouvir quem entende do tempo melhor do que qualquer previsão.
No grupo, uma das amigas, que vinha de um município vizinho, avisou que sairia mais cedo. O céu mudara de humor, e era melhor não desafiar a estrada.
Quando ela chegou ao restaurante acompanhada de duas amigas, as outras já esperavam à mesa. Faltava apenas uma. Não demorou muito, e logo todas estavam reunidas.
A conversa encontrou seu ritmo natural. Entre uma lembrança e outra, novidades foram contadas, risadas surgiram espontaneamente e os assuntos acumulados desde o último encontro foram sendo colocados em dia. A comida chegou quase como um detalhe, porque o verdadeiro alimento já estava ali: a companhia.
Depois do almoço, a tradição falou mais alto. Elas seguiram para o café ao lado, onde a sobremesa parecia completar o ritual. Do lado de fora, uma chuva fina deixava o dia mais frio. Do lado de dentro, o ambiente acolhedor convidava a prolongar a conversa.
Foi então que uma das amigas resumiu tudo em uma frase simples, dessas que merecem ser guardadas: "O dia estava feio, mas tornou nosso interior bonito."
Uma das amigas precisou sair mais cedo para cumprir algumas tarefas de trabalho. Outra pediu licença à dona do estabelecimento para apresentar suas semijoias.
Na hora de ir embora, como acontece nas melhores histórias, vieram os pequenos imprevistos. Uma percebeu que havia deixado o capacete no restaurante, justamente quando ele já estava fechado. Voltou de carona, resignada a buscá-lo mais tarde. Outra já havia se despedido quando descobriram que seu celular permanecia tranquilamente sobre o balcão do caixa.
Houve um instante de preocupação, é verdade. Mas logo o susto deu lugar às gargalhadas. Porque a amizade também é isso: transformar esquecimentos em histórias, contratempos em lembranças e um dia cinzento em um daqueles encontros que aquecem a memória por muito tempo.
Obrigada pela visita,
Cidália.

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