(foto copiada da internet)
Há pessoas que passam pela vida colecionando
conquistas que o mundo faz questão de contar: casamento, filhos, festas,
fotografias de uma família reunida. Outras, porém, escrevem sua história em
silêncio, onde o amor não aparece nas manchetes, mas sustenta vidas inteiras.
Ela foi uma dessas pessoas.
Ainda jovem, deixou que os próprios sonhos
cedessem lugar a uma missão maior. A família que imaginou construir ficou para
depois... e, quando percebeu, o depois já havia passado. Não houve marido, nem
filhos. Em vez disso, tornou-se mãe daqueles que primeiro lhe ensinaram a amar.
Filha única, estudiosa, trabalhadora, responsável
e profundamente temente a Deus, carregava uma beleza rara: a simplicidade.
Nunca foi movida pela vaidade, mas pelo desejo de servir. Os pais, que sempre a
criaram com tanto cuidado, um dia passaram a encontrar nela o mesmo cuidado que
antes lhe ofereciam.
Quando o pai partiu para a eternidade, seu coração
se voltou ainda mais para a mãe. As duas se tornaram inseparáveis.
Compartilhavam os dias, as conversas, os silêncios. Apenas o trabalho as
separava por algumas horas. E, quando a necessidade surgia, nem isso: a mãe a
acompanhava em reuniões, como quem apenas desejava continuar perto da filha que
se transformara em seu porto seguro.
Era bonito de ver. Uma cuidava da outra. O amor
entre elas dispensava palavras.
Então chegou o dia mais difícil.
A mãe também partiu.
E, de repente, a casa ficou grande demais. O
silêncio ganhou voz. A saudade ocupou cada cômodo. Durante muito tempo, ela não
conseguiu encontrar consolo. Precisou aprender a conviver com a ausência,
descobrindo, aos poucos, que quem amamos nunca vai embora por completo.
Permanecem nos pensamentos, nos gestos, nas lembranças e naquele lugar do
coração onde o tempo não alcança.
Foi o trabalho que a ajudou a seguir em frente. Entre os
aluninhos, os sorrisos infantis devolvem um pouco da leveza que a vida insistiu
em levar. Cada abraço, cada descoberta, cada pequena vitória de uma criança
parece costurar, delicadamente, as feridas da alma.
Mas, quando volta para casa, encontra uma
companhia diferente.
É apenas ela.
Deus.
E as lembranças.
Talvez alguns pensem que sua história seja marcada
pelas renúncias. Mas quem a conhece sabe que ela não viveu uma vida vazia.
Viveu uma vida de amor. Um amor que não gerou filhos, mas gerou cuidado; que
não construiu um lar numeroso, mas fez de si mesma um lar para os próprios
pais.
E, no fim das contas, talvez seja isso que
realmente importe: há quem passe pela vida deixando heranças de bens. Ela deixará
uma herança muito mais preciosa, a certeza de que amar é, muitas vezes,
escolher permanecer ao lado de quem precisa de nós, até o último instante.
Obrigada pela visita,
Cidália.

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