Mais de dois anos de distanciamento. Dois anos
em que a vida foi acontecendo do outro lado das telas, acompanhada de longe,
pelas redes sociais. Os encontros, por um motivo ou por outro, foram se
transformando em desencontros. E, nesse intervalo, muita coisa aconteceu:
alegrias, tristezas, mudanças, ausências. O tempo, esse senhor implacável, não
costuma pedir licença.
Até que, enfim, chegou o momento.
O menino foi o primeiro a entrar na sala. Logo
depois, entrou a menina. Em seguida, os pais.
Por alguns segundos, talvez todos tenham
procurado, nos rostos uns dos outros, as crianças que haviam deixado para trás.
Mas as crianças tinham crescido.
O menino agora era um baita rapaz. O abraço
foi apertado, demorado, daqueles que parecem querer recuperar, em alguns
segundos, todo o tempo perdido.
A menina, agora uma moça, recebeu outro abraço
igualmente longo. Linda, educada, crescida. O menino, orgulhoso, apresentou a
namorada.
Então chegou a vez do abraço nos pais daqueles
jovens.
Mais de dois anos sem uma chamada de vídeo
sequer. Apenas algumas palavras trocadas pelo WhatsApp, mensagens que tentavam
manter acesa uma proximidade que a distância insistia em apagar.
E então veio o abraço na mãe, a sobrinha-neta.
Foi longo. Apertado. Emocionante.
Havia lágrimas, mas eram lágrimas de alegria.
Daquelas que não precisam de explicação.
Enquanto a carne assava na churrasqueira, no
fundo do quintal, as duas se acomodaram num canto da sala para tentar colocar a
conversa em dia. E havia muito o que contar. Afinal, dois anos são tempo
suficiente para encher muitas páginas da vida.
Conversa vai, conversa vem.
Lá fora, a chuva fraca continuava a cair,
quase como uma trilha sonora para aquela noite. Dentro da sala, porém, o calor
humano aquecia tudo e todos.
No fundo do quintal, ao redor da
churrasqueira, estavam os outros. Entre risadas, conversas e o cheiro da carne
assando, a noite seguia.
No sofá, duas bebês, gêmeas, brincavam com a
mãe e com a dona da casa. Duas pequenas vidas que, provavelmente, nem
imaginavam quantas histórias estavam sendo reencontradas naquela sala.
Lá pelas tantas, alguém lembrou que era
preciso registrar o momento.
Vieram as fotos.
Sorrisos, abraços, poses improvisadas.
Pequenos pedaços de uma noite que, dali em diante, passariam a morar também nas
fotografias.
Os homens continuavam em volta da
churrasqueira, lá no fundo do quintal. Na sala, a conversa seguia solta. Os
ponteiros do relógio avançavam, mas ninguém parecia se importar com eles.
O tempo, que durante dois anos parecera tão
longo, naquela noite passou depressa demais.
Aos poucos, os homens se juntaram à turma da
sala. Todos falavam ao mesmo tempo. Histórias se cruzavam, risadas surgiam,
lembranças eram resgatadas.
Até que, de repente, um pequeno grupo começou
a dançar.
Porque reencontro também é isso: falar, rir,
abraçar, lembrar, celebrar. E, quando a felicidade aperta, às vezes o corpo
encontra seu próprio jeito de dizer que está feliz.
Os primeiros a se despedir foram os pais das
gêmeas.
Depois, algum tempo mais tarde, começaram os
demais tchaus.
Já era quase madrugada.
A chuva talvez ainda estivesse caindo lá fora.
A churrasqueira já devia estar silenciosa. As crianças, os
adolescentes e os jovens, provavelmente, já carregavam o cansaço da noite.
Mas ninguém queria ir embora.
Ainda havia assuntos pendentes. Histórias que
não cabiam naquela noite. Conversas que precisariam de outro encontro para
continuar.
E talvez seja justamente essa a beleza de um
reencontro.
Nem sempre é preciso dizer tudo.
Às vezes, basta um abraço demorado para que
dois anos de distância desapareçam.
Basta olhar para alguém e perceber que, apesar
do tempo, apesar dos desencontros, apesar da vida ter seguido seu curso, certos
laços continuam exatamente onde foram deixados.
Naquela noite, o tempo não conseguiu apagar
nada.
Apenas fez crescer as crianças, amadurecer os
jovens e aumentar a saudade.
E, finalmente, transformou os desencontros em
reencontro.
Família pode ser a minha, pode ser a sua
Família se constrói em casa, e também na rua
Família é uma pessoa que vem com defeito
Família pode ser do seu ou do meu jeito
Família é um instrumento difícil de tocar
Família parece casa, mas é um lar
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família é fonte de amor inesgotável
Família é um monte de dor inexplicável
Família faz coisas que ninguém explica
Família não vai embora, família fica
Família as vezes briga quase todo dia
Família se você não escolhe, devia
Família é tempestade num copo d'água
Família mágoa, mas perdoa toda mágoa
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família é assim mesmo, família é uma doideira
Família é pra hoje, pra agora e pra vida inteira
Família é uma luz, um porto seguro
Família é passado, presente, futuro
Família eu sou, família amor
Família eu quero, eu tô sendo sincero
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família eu sou, família amor
Família eu quero, eu tô sendo sincero
Família eu sou, família amor
Família eu quero, tô sendo sincero
Família




Adorei seu texto,depois desse periodo de incertezas, se reunir aos nossos não tem preço,é sempre uma mistura de emoções.Familia é bem isso mesmo.Bjus.
ResponderExcluirObrigada, Tania M. pelo comentário!
ExcluirUm abraço, Cidália.
É uma grande alegria voltar aos momentos bons principalmente junto da família, foi um período muito difícil que tivemos durante a pandemia, agora temos que voltar a ser feliz, bjs.
ResponderExcluirObrigada, Lucimar, pelo comentário!!
ExcluirUm abraço, Cidália.
Oie, tudo bem? Ah, que família mais linda. É tão bom poder compartilhar momentos assim com quem amamos. Viver situações diferentes, momentos inesquecíveis. Tudo isso deixa um quentinho no coração. O texto ficou incrível como sempre. A cada frase conseguimos perceber os sentimentos que você quis transmitir. Um abraço, Érika =^.^=
ResponderExcluirOlá, Érika, tudo bem!! Muito obrigada pelos elogios!
ExcluirUm abraço, Cidália.
Adorei esse texto nada vai substituir o amor da família agradeço a Deus por ter uma família maravilhosa que são muito unidos
ResponderExcluirObrigada pelo carinho, Cleuza!!
ExcluirBeijos.
Olá Cidália,
ResponderExcluirEu amo como você eterniza esse momento através de textos, pois traz um toque única, transformando tudo. Nesse período de pandemia, em que precisamos nos afastar de algumas pessoas para protegê-las, os reencontros foram momentos que acabaram nos marcando mesmo. Arrasou no post!
Beijos!
Olá Alice,
ExcluirQue bom que você gostou do meu texto, muito obrigada!
Beijos!
Oi!
ResponderExcluirPassar momentos felizes em família e com amigos é maravilhoso. E melhor quando são eternizados em foto
Olá Joana!
ExcluirSim, é muito bom, obrigada!
Beijos.
Momentos inesquecíveis que ficaram pra sempre em nossas memórias e em nossos corações.
ResponderExcluirTe amo querida escritora você é incrível bjs no coração
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