sábado, 15 de agosto de 2026

A dança dos pássaros

 



Há tardes em que a natureza parece querer conversar com a gente.

Basta parar por alguns minutos, esquecer a pressa e olhar para o quintal. Foi assim que, numa dessas tardes amenas, fiquei observando o vento brincar com os galhos das árvores. Ele balançava as folhas, fazia cócegas nas sombras e também embalava, suavemente, duas pequenas casinhas dependuradas, recheadas de bananas docinhas.

E então começou o espetáculo.

Os pássaros chegavam de todos os lados. Voavam de um galho para outro, cruzavam o céu em pequenos voos apressados, esbarravam uns nos outros, davam bicadinhas — talvez pequenas discussões de passarinho — e logo voltavam a voar. Pareciam dançar.

Dançavam como se houvesse uma música invisível tocando no ar. Como se aquele pedaço de quintal fosse um grande palco e nós, silenciosos espectadores, tivéssemos recebido o privilégio de assistir à apresentação.

Havia sanhaços azulados, bonitos-lindos, saíras azuis, sabiás e canários. Cada um com seu jeito, seu canto, sua pressa e sua graça.

Um pássaro preto, de bico branco, passou voando baixo e, por um breve instante, abriu as asas. Debaixo delas, escondiam-se penas prateadas, como um pequeno segredo que só o voo era capaz de revelar.

No fio do varal, o bem-te-vi cantava, dono da tarde. Parecia anunciar ao mundo que ainda havia beleza por ali.

No chão, as rolinhas garbosas ciscavam a grama úmida, indiferentes ao espetáculo que acontecia acima delas. Talvez para elas aquilo fosse apenas mais uma tarde. Para mim, porém, era muito mais.

Era um lembrete.

De que a vida também mora nas coisas pequenas.

Quando o final da tarde começou a se aproximar, a cantoria aumentou. Como se os passarinhos soubessem que o dia estava chegando ao fim e quisessem aproveitar seus últimos minutos de luz.

O vento continuava balançando os galhos. As folhas murmuravam. As asas cortavam o ar. Os cantos se misturavam numa melodia que nenhuma orquestra humana seria capaz de reproduzir.

Então, de repente, um casal de periquitos apareceu. Chegou sem cerimônia, pousou perto das bananas e começou a saborear aquelas pequenas delícias, como quem conhece bem os lugares onde a vida é generosa.

Fiquei ali, olhando.

E pensei em como são pequeninas essas aves e, ao mesmo tempo, tão grandes no que nos oferecem.

Elas enfeitam as árvores, colorindo os dias com suas penas. Enfeitam o silêncio com seus cantos. Transformam uma tarde preguiçosa em espetáculo e, sem saber, nos ensinam a olhar com mais atenção para aquilo que quase sempre passa despercebido.

Talvez seja esse o verdadeiro presente dos passarinhos.

Eles não nos pedem nada.

Apenas chegam, cantam, dançam ao vento e depois partem.

E nós ficamos com a sensação de que, por alguns instantes, a vida foi mais bonita porque tivemos tempo de parar para contemplá-la.

Obrigada pela visita,
Cidália.











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