segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Mães: mulheres, não guerreiras

 



De vez em quando, algumas perguntas sem resposta ficam rondando os pensamentos. Não chegam fazendo barulho. Apenas se acomodam, silenciosas, e insistem em permanecer.

Uma delas me acompanha há algum tempo: por que a mãe atípica é chamada de guerreira?

Mãe é mãe. Antes de qualquer rótulo, existe uma mulher que cuida, que se preocupa, que ama, que se cansa, que muitas vezes chora escondido e, ainda assim, no dia seguinte, levanta-se e segue.

Todas as mães têm muito em comum, principalmente aquelas que trabalham fora. Mas isso não significa que as mães que permanecem em casa não trabalhem. Cuidar de uma casa, administrar uma rotina e acompanhar os filhos também é trabalho e, muitas vezes, um trabalho invisível, sem salário, sem férias e sem hora para terminar.

Há o almoço para preparar, a roupa para lavar, a casa para organizar, as compras no supermercado e na quitanda, o filho para levar à escola e depois buscar. Há consultas, compromissos, tarefas, imprevistos. Há uma lista que parece nunca chegar ao fim.

E então pensamos na mãe de um filho atípico.

Se ela também trabalha fora, sua rotina pode se tornar ainda mais exaustiva. São horários que precisam se encaixar, consultas que precisam ser conciliadas, necessidades específicas que exigem atenção e, muitas vezes, uma preocupação constante com aquilo que o amanhã poderá trazer.

Essa mãe precisa de apoio.

Do companheiro, quando existe. Da família, dos amigos, da escola, da sociedade. Precisa de uma rede que não apenas admire sua força, mas que também esteja disposta a dividir o peso.

E quando ela é uma mãe solo?

Talvez a palavra “desdobrar-se” ainda seja pequena para explicar o que acontece. Ela precisa encontrar braços onde não há braços, tempo onde não há tempo, forças onde, muitas vezes, só existe cansaço.

Por isso, fico pensando: será mesmo necessário chamá-la de guerreira?

A palavra parece bonita, mas carrega um peso. Porque, quando dizemos que uma mãe é guerreira, corremos o risco de romantizar a sobrecarga. Como se ela precisasse ser forte o tempo todo. Como se não pudesse fraquejar. Como se fosse natural enfrentar tudo sozinha.

Talvez não devêssemos esperar que mães sejam guerreiras.

Talvez devêssemos simplesmente reconhecê-las como mulheres.

Mulheres admiráveis, sim. Mulheres que fazem o possível e, muitas vezes, até o impossível. Mulheres que amam, cuidam, trabalham, se cansam, recomeçam e seguem adiante.

Mas mulheres que também precisam de colo, descanso, compreensão e ajuda.

Porque, no fim das contas, mães não deveriam precisar vestir uma armadura para serem reconhecidas. Deveriam poder apenas ser mães, humanas, imperfeitas, cansadas, amorosas e, acima de tudo, acompanhadas.


Obrigada pela visita,

Cidália


Nenhum comentário:

Postar um comentário