De vez em quando, algumas perguntas
sem resposta ficam rondando os pensamentos. Não chegam fazendo barulho. Apenas
se acomodam, silenciosas, e insistem em permanecer.
Uma delas me acompanha há algum tempo:
por que a mãe atípica é chamada de guerreira?
Mãe é mãe. Antes de qualquer rótulo,
existe uma mulher que cuida, que se preocupa, que ama, que se cansa, que muitas
vezes chora escondido e, ainda assim, no dia seguinte, levanta-se e segue.
Todas as mães têm muito em comum,
principalmente aquelas que trabalham fora. Mas isso não significa que as mães
que permanecem em casa não trabalhem. Cuidar de uma casa, administrar uma
rotina e acompanhar os filhos também é trabalho e, muitas vezes, um trabalho
invisível, sem salário, sem férias e sem hora para terminar.
Há o almoço para preparar, a roupa
para lavar, a casa para organizar, as compras no supermercado e na quitanda, o
filho para levar à escola e depois buscar. Há consultas, compromissos, tarefas,
imprevistos. Há uma lista que parece nunca chegar ao fim.
E então pensamos na mãe de um filho
atípico.
Se ela também trabalha fora, sua
rotina pode se tornar ainda mais exaustiva. São horários que precisam se
encaixar, consultas que precisam ser conciliadas, necessidades específicas que
exigem atenção e, muitas vezes, uma preocupação constante com aquilo que o
amanhã poderá trazer.
Essa mãe precisa de apoio.
Do companheiro, quando existe. Da
família, dos amigos, da escola, da sociedade. Precisa de uma rede que não
apenas admire sua força, mas que também esteja disposta a dividir o peso.
E quando ela é uma mãe solo?
Talvez a palavra “desdobrar-se” ainda
seja pequena para explicar o que acontece. Ela precisa encontrar braços onde
não há braços, tempo onde não há tempo, forças onde, muitas vezes, só existe
cansaço.
Por isso, fico pensando: será mesmo
necessário chamá-la de guerreira?
A palavra parece bonita, mas carrega
um peso. Porque, quando dizemos que uma mãe é guerreira, corremos o risco de
romantizar a sobrecarga. Como se ela precisasse ser forte o tempo todo. Como se
não pudesse fraquejar. Como se fosse natural enfrentar tudo sozinha.
Talvez não devêssemos esperar que mães
sejam guerreiras.
Talvez devêssemos simplesmente
reconhecê-las como mulheres.
Mulheres admiráveis, sim. Mulheres que
fazem o possível e, muitas vezes, até o impossível. Mulheres que amam, cuidam,
trabalham, se cansam, recomeçam e seguem adiante.
Mas mulheres que também precisam de
colo, descanso, compreensão e ajuda.
Porque, no fim das contas, mães não deveriam precisar vestir uma armadura para serem reconhecidas. Deveriam poder apenas ser mães, humanas, imperfeitas, cansadas, amorosas e, acima de tudo, acompanhadas.
Obrigada pela visita,
Cidália
Nenhum comentário:
Postar um comentário